EXTREMA-DIREITA | Unamo-nos, sem sectarismos, na luta contra a extrema-direita!

SF | 16-08.2020 | Irene Pimentel reage às recentes provocações da extrema-direita em Portugal. Enaltece o pluralismo, apela à unidade dos democratas antifascistas e mobiliza para uma solidariedade activa para com os dez ameaçados.

Irene Pimentel, historiadora, Investigadora do Instituto de História Contemporânea.

A extrema-direita, muito minoritária em Portugal, ergue a cabeça, perdendo o medo e a vergonha para onde a havia atirado o 25 de Abril de 1974. E levanta-a porque infelizmente um dos seus chegou à Assembleia da República, órgão da nossa democracia onde nunca deveria ter entrado se todas as instituições, a começar pelo Tribunal Constitucional, tivessem funcionado.

A extrema-direita pensa ter conquistado a rua, sem dizer ao que vem, ameaçadora e criminosa. A realidade agora é esta, quer para os que ainda viveram a ditadura portuguesa, quer para as diversas gerações que só conhecem a democracia.

Combater os populistas nacionalistas e racistas

Ora, esta é a raiz do pluralismo político, social, étnico, geracional e de género, que possibilita viver em liberdade e aspirando à igualdade, com utopia no horizonte, mesmo se esta nunca será atingida.

Os homens e as mulheres decentes e livres, de todas as idades, origens sociais e etnias, sabem que a democracia nunca é perfeita, mas é vital para que seja aprofundada. Por isso, temos de combater os populistas nacionalistas e racistas que a usam para melhor a destruir.

Construamos a nossa unidade

Um dia, mostraremos na rua a nossa força, mas até lá construamos a nossa unidade, sem sectarismo e sem deixar que as nossas diversas identidades nos dividam.

Hoje ameaçaram dez dos nossos e, por isso, temos de lhes mostrar uma solidariedade activa, para que amanhã não sejamos cada um de nós a ser ameaçado e atacado. 

Irene Pimentel