EXTREMA-DIREITA | Um combate a travar com a maior firmeza

SF | 19-08-2020 | Rui Bebiano recorda-nos o ovo da serpente e a presença crescente de ideias e organizações ligadas à extrema-direita. A sua posição é de apelo no sentido de uma ação firme e unitária por parte de todos/as os antifascistas.

Rui Bebiano, historiador, professor e autor. Investigador no CES-Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

A memória negra do salazarismo, o vigor da Revolução de Abril e do regime constitucional que produziu, a aceitação da democracia e o razoável progresso social do país, bem como o alargamento da legislação sobre a igualdade de direitos e a sua proteção, convenceram-nos durante décadas de que estaríamos a salvo do perigo da extrema-direita.

O ovo da serpente

Na verdade, o ovo da serpente estava a ser chocado e bastou uma conjugação de fatores internacionais, associados ao renascimento dos nacionalismos, aos conflitos étnicos, às movimentações de migrantes e de refugiados, ou aos fatores críticos inerentes às contradições do sistema neoliberal global, para que as suas crias surgissem à luz do dia, mesmo em sociedades relativamente estáveis e sem conflitos graves como a nossa.

Presença impensável

Começaram assim ideias e organizações de extrema-direita a afirmar, também por cá, uma presença que até há pouco se acreditava impensável. Basta observar o crescimento do Chega nas sondagens e o emergir de organizações violentas de natureza extraparlamentar, algumas com infiltrações na polícia.

Iniciativa, firmeza e unidade na ação

Agora às claras, estas multiplicam iniciativas viradas contra as minorias, contra os ideias democráticos ou contra os ativistas que procuram combater a sua existência. Por isso, o combate contra a extrema-direita, o racismo e a xenofobia, bem como a denúncia e a punição de todos os que atentam contra os valores liberdade, da cidadania e do convívio democrático, requerem iniciativa, firmeza e unidade na ação por parte dos/as antifascistas. Não depois, mas agora e sem hesitações.

Rui Bebiano

© foto cedida pelo autor