CANÇÃO DE PROTESTO E EXÍLIO | O canto nosso de cada dia |6|

SF | 23-09-2020 | Geraldo Vandré |Pra não dizer que não falei das Flores| seleção e orientação de Mário Alves.

Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores *

Geraldo Vandré

Caminhando e Cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e Cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer

Pelos campos a fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordoes
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quarteis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não

Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a historia na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição



Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer

Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer

* Gravação no Maracanãzinho ( Rio de Janeiro) na final do III Festival Internacional da Canção Popular em 1968, um dos anos de maior repressão por parte da  ditadura militar brasileira.  Geraldo Vandré ficou em 2º lugar, atrás do duo Cynara e Cybele, que interpretou “Sabiá”( Chico Buarque / Tom Jobim). Mas o público (20 a 30.000 pessoas, segundo a imprensa da época) que “torcia” pela canção-hino de Vandré  acolheu a decisão do júri com uma vaia monumental. O que se passou a seguir está no registo histórico que partilhamos aqui.

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