LIVROS 2020 |Bruxelas, Cidade de Exílios

SEM FRONTEIRAS | 15 de dezembro 2020 | Livros de dezembro 2020

Helena Cabeçadas, Chiado Editora, 2013

Helena Cabeçadas

Resumo

Trata-se de um livro autobiográfico que descreve o percurso de uma jovem antifascista obrigada a exilar-se aos 17 anos, na sequência da grande repressão que se faz sentir em Lisboa no sector estudantil, em 1964. Este exílio vai prolongar-se durante dez anos, até à revolução de 25 de Abril de 1974.

Palavras- chave: Bruxelas, exílio, resistência antifascista, Maio de 68, refugiados políticos.

Desenvolvimento do Tema

O livro debruça-se sobre a luta política nos Liceus, em Lisboa, no início dos anos sessenta, e acompanha o percurso da autora no seu exílio em Bruxelas, para onde partiu em 1965, com apenas 17 anos. Aí descobre uma cidade cosmopolita, com uma vida cultural estimulante, convive com jovens do  mundo inteiro, exilados políticos, imigrantes, refugiados, e frequenta uma Universidade vibrante onde, de acordo com os princípios do libre examen (La pensée ne doit jamais se soumettre, ni à un dogme, ni à une réligion, ni à une idéologie), “as bandeiras negras e vermelhas se agitavam alegremente ao som das músicas revolucionárias, como a Internacional ou as canções de protesto francesas e anglo saxónicas, contrastando violentamente com o ambiente vivido em Portugal na época, submetido a uma longa ditadura, no qual toda a diversidade de pensamento era excluída e ferozmente perseguida”.

São também abordadas as dificuldades da vida no exílio, os problemas económicos, a solidão, as saudades, as frustrações e os desafios do trabalho político no estrangeiro, nomeadamente com os emigrantes portugueses. Maio de 68, vivido em Paris com enorme alegria e entusiasmo, surge como a grande ruptura em relação aos movimentos comunistas ortodoxos. A invasão da Checoslováquia pelas tropas soviéticas confirma a ruptura com o Partido Comunista. Segue-se a busca de um sentido para a vida nas lutas feministas, nas vivências comunitárias, nas preocupações ecológicas, na exigência de uma revolução vivida a nível do quotidiano e da relação com o outro.

O 25 de Abril de 1974 marca o reencontro com Portugal e o início de um difícil retorno, após dez anos de ausência, num período tão importante da sua formação, durante o qual a autora foi obrigada a construir-se como mulher, nas condições do exílio. Não foi fácil reencontrar um lugar no Portugal de Abril.

Trinta anos depois, a consulta dos seus vários processos da PIDE/DGS na Torre do Tombo, que acompanham obsessivamente os anos do seu exílio, revelou-se uma aventura inquietante.

Forma de adquirir o livro: no site da Chiado Editora ou pode-se encomendar na FNAC ou na Bertrand.

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