LIVROS 2020 | O Século XX Português. Política, Economia, Sociedade, Cultura, Império

SEM FRONTEIRAS | 18 de dezembro 2020 | Livros de dezembro 2020

Fernando Rosas, Francisco Louçã, João Teixeira Lopes, Andrea Peniche, Luís Trindade Miguel Cardina (2020), O Século XX Português. Política, Economia, Sociedade, Cultura, Império. Lisboa: Tinta-da-China.

Obra coletiva

Resumo

Em boa hora resolveu a AEP61-74 solicitar a um conjunto de autores/as de indicação de livros seus que se cruzem genericamente com a âmbito da associação e que possam ser objeto de divulgação e debate. O livro que trago como sugestão, da qual sou um dos co-autores, pretende fazer uma história do século XX português à luz de diferentes vertentes. Reunindo seis textos de natureza ensaística, procura-se aqui traçar um retrato crítico do período, do qual emergem três linhas de força, tal como se anuncia na introdução: em primeiro lugar, a persistência da desigualdade, num país em que os interesses oligárquicos sempre se souberam recompor dos embates trazidos pelas duas revoluções, a de 1910 e particularmente a de 1974/75; em segundo lugar, o papel central do Estado na produção e reprodução da oligarquização económica, social e cultural; em terceiro lugar, o peso do imaginário colonial enquanto passado e presente.

Desenvolvimento do Tema

O texto de Fernando Rosas, que abre o volume, é um ensaio interpretativo de amplo alcance sobre os quatro regimes que atravessaram o século XX, abordando as suas principais dinâmicas e particularidades. Francisco Louçã aborda de seguida a história económica portuguesa, focando-se na modernização conservadora do país – ou, nas palavras do autor, a sua “jaula oligárquica” – e nos grandes debates económicos que atravessaram o século. O capítulo de João Teixeira Lopes examina as transformações operadas na sociedade portuguesa durante o século XX, considerado como um período “desigual e de contratempos”. O texto que se segue, da autoria de Andrea Peniche, analisa a “aventura das mulheres”, sistematizado num conjunto de momentos e de embates que configuram uma longa luta pela visibilidade, pelo reconhecimento e pela igualdade. No capítulo V, Luís Trindade efetua uma análise sobre a cultura em Portugal no século XX que, ao invés de propor um cânone de obras ou autores, se centra no exame das práticas culturais, dos processos de massificação e da afirmação de uma cultura popular urbana, de amplo alcance social, embora frequentemente desvalorizada por um certo olhar estético-político de natureza elitista.

Fecha o volume um capítulo da minha autoria, intitulado “O Passado Colonial: do Trajeto Histórico às Configurações da Memória”, no qual procuro identificar o lugar que o colonialismo vai ocupar no século XX português. Se a ideia colonial é anterior ao séc. XX, durante esse período o colonialismo vai ser alvo de processos políticos, económicos, sociais e culturais que o (re)constroem enquanto realidade e representação. Apesar do ciclo imperial se ter encerrado em 1974/75, os seus ecos mantiveram-se fortemente operativos e com forte expressão política e discursiva. Procuro passar em revista este processo, bem como os fatores explicativos para as dinâmicas entre memória e silenciamento que foram revestindo, na sociedade portuguesa, certos eventos, como é o caso da guerra colonial. Por fim, analiso como a “persistência real do imaginário colonial” se tem vindo a expressar mais recentemente e de que forma essa memória dominante, tantas vezes devedora dos traços perseverantes do lusotropicalismo, tem vindo igualmente a ser desafiada.

Este é livro que procura assim examinar criticamente a história do século XX português, permitindo-nos conhecer melhor esse período histórico, mas também habilitar-nos a pensar a genealogia do presente que nos compete viver.

A apresentação o livro pode ser visualizada aqui:

Entre outros lugares, é possível o Século XX Português através do próprio site das Edições Tinta-da-China: https://bit.ly/3pfvT8C

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