AGENDA| Descriminação dificulta a união e a solidariedade entre os explorados

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SEM FRONTEIRAS | 20 de janeiro 2021 | AGENDA

O RACISMO TEM UMA HISTÓRIA | Sessão na Escola Artística António Arroio com António Barata e Ana Barradas do MAR – Movimento Anti-Racista

21.01.2021 | 15:00-15:45 horas

Os dinamizadores da sessão apresentam o tema nos seguintes termos: Portugal tem um passado negro e pioneiro de 500 anos de expansionismo imperial e colonização. Os colonialistas praticaram o tráfico negreiro, a pilhagem dos recursos e riquezas dos povos de África, Ásia e Brasil, o trabalho forçado, conversões forçadas, torturas e fogueiras da Inquisição. As guerras de “pacificação” das colónias no final do século XIX e início do XX e as guerras coloniais dos anos 60 e 70 continuam a ser encaradas como feitos ao “serviço à Pátria”, escondendo que foram actos de submissão de povos pela força..

O racismo português foi moldado por estes cinco séculos de exploração e opressão colonial, antecedidos pela perseguição e expulsão de judeus e muçulmanos.

Há em certos sectores do povo português uma adesão à retórica nacional-fascista, racista, que tomam como bode expiatórios os negros, os imigrantes e os ciganos. É neste clima de crise social que certas camadas médias se descobrem, face aos trabalhadores imigrantes, numa relação de superior para inferiores. Para eles, os cidadãos são os brancos; e acham natural que sejam os imigrantes e seus descendentes quem trabalha nas obras, faz limpezas, recolhe o lixo, moureja nos campos e estufas agrícolas, mora em guetos e barracas . Daí o medo e o desprezo, típicos de sociedades que submetem e rebaixam outra.

A discriminação auxilia a exploração, os baixos salários, a divisão entre trabalhadores e os conflitos no seu seio, dificulta a união e a solidariedade entre os explorados e fortalece as tendências racistas e xenófobas. As propostas da extrema-direita, em vez de travar a sua influência e crescimento, está a abrir as portas ao fascismo, tornando-o uma ameaça cada vez mais presente no nosso país.

É necessária a actuação unitária e quotidiana, contra todas as manifestações do “chauvinismo branco”. É possível travar a extrema-direita demonstrando, nos actos, que somos capazes de organizar eficazmente as lutas contra a discriminação racial e o fascismo em todas as suas manifestações.

Movimento Anti-Racista

António Barata e Ana Barradas são de há muito ativistas contra o racismo e a xenofobia. Fundaram o MAR nos anos 1990, quando os neonazis portugueses, os skins, matavam e espancavam. Nos últimos meses voltaram a agredir homossexuais, ativistas de esquerda, atacaram um centro libertário, convocaram manifestações contra o antirracismo, realizaram uma concentração ao estilo Ku Klux Klan frente a uma associação antirracista, espalharam pelas paredes de Lisboa frases de ódio racial e nacionalista, enquanto nas redes sociais a verborreia racista e xenófoba corre como um esgoto a céu aberto.

Por isso António Barata e Ana Barradas resolveram retomar o trabalho do MAR, que se torna cada vez mais necessário.

Fonte site da Escola Artística António Arroio

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