DOSSIÊ | Guerra colonial, Guerra à guerra. Violência e anticolonialismo nas oposições ao Estado Novo

GUERRA COLONIAL | 60 ANOS DEPOIS - 1961/2021

SEM FRONTEIRAS | 4 de fevereiro 2021 | DOSSIÊ | Guerra Colonial – 60 anos depois 1961-2021 | Enquadramento (I)

Damos hoje início, sessenta anos depois da jornada de 4 de fevereiro de 1961 e dos acontecimentos ocorridos em Luanda contra a opressão e domínio colonial em Angola, a um DOSSIÊ TEMÁTICO que nos vai acompanhar ao logo do ano em curso. Para abrir esta iniciativa, que como sempre desejamos que seja levada a cabo numa base colaborativa, nada melhor, neste primeiro ciclo da problematização, que revisitar um dos textos mais importantes até agora publicados sobre o tema: Guerra à guerra. Violência e anticolonialismo nas oposições ao Estado Novo de Miguel Cardina. O autor, que aqui nos introduz o tema, sugere-nos uma leitura completa do artigo no espaço particularmente qualificado que é a Revista Crítica de Ciências Sociais e nós aceitamos o convite com entusiasmo porque será difícil conversar sobre esta matéria no futuro sem ter percorrido em pormenor o seu conteúdo particularmente desafiador. Editado Carlos Ribeiro – Sem Fronteiras

Guerra à guerra, por Miguel Cardina

Se a divisa “make love, not war” se tornou um símbolo constantemente evocado para dar conta do tipo de contestação produzida durante os “longos anos sessenta” (Jameson, 1984; Marwick, 1998), o certo é que os gestos e os discursos oriundos desse período nem sempre corresponderam a esta imagem pacifista, por vezes entendida retrospectivamente como individualista e despreocupada. Em diferentes tempos e lugares, e a um ritmo progressivamente intensificado, a nova cultura juvenil introduziu profundas transformações no domínio dos costumes, do gosto e da moral e accionou zonas de ousadia e resistência que muitas vezes evoluíram para o confronto aberto com os códigos da sociedade burguesa. Com efeito, a experiência sixtie, nomeadamente na sua vertente radical e politizada, promoveu uma nova conflitualidade de natureza fracturante e transgressora que, mais do que recusar a violência, questionava o seu significado e procurava redefinir a sua aplicação.

Em Portugal, e apesar dos entraves socioculturais e políticos, alguns sectores, essencialmente procedentes dos meios estudantis, mostraram­‑se abertos à influência de um certo “espaço 68” (Frank, 2000). Este fenómeno cruzou‑se, no país, com o aparecimento de um novo tipo de contestação à Guerra Colonial, na qual o activismo promovido pelas franjas maoístas teve um papel relevante. Condenando a retórica belicista e nacionalista do Estado Novo, estes grupos não deixaram de entender a violência como um meio indispensável para se alcançar uma desejada “sociedade sem classes”. Este artigo pretende, num primeiro momento, contextualizar a ideia de violência nas leituras prevalecentes sobre os anos sessenta e mostrar o lugar e o impacto do maoísmo no período. De seguida, apontam­‑se alguns elementos da prática e do discurso deste múltiplo território político no declínio da ditadura portuguesa, salientando a sua contribuição para a construção de um campo social resolutamente anticolonial. (…)

Excerto inicial de Miguel Cardina (2010), «Guerra à guerra. Violência e anticolonialismo nas oposições ao Estado Novo», Revista Crítica de Ciências Sociais, 88, pp. 207-231

Para ler na íntegra:Guerra à guerra. Violência e anticolonialismo nas oposições ao Estado Novo»

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