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GUERRA COLONIAL | 60 anos depois |9161-2021

SEM FRONTEIRAS |. 9 de fevereiro 2021 | Agenda TV | Guerra Colonial-Deserção

A RTP transmitiu ontem no Programa Outras Histórias um documentário denominado FUI DESERTOR que trouxe a público, mais uma vez, o tema da deserção e da guerra colonial. Fernando Cardeira e António Baltazar foram os desertores que protagonizaram o desenvolvimento do tema que contou ainda, no aprofundamento histórico, sociológico e político, com Miguel Cardina.

Tendo por base o modelo dos Trilhos do Salto que teve uma primeira edição em Vilar Formoso em 2019 com o percurso realizado por desertores, refratários e outros antifascistas com ligações. ou não. à AEP61-74 pelo Trilho do Poço Velho, os dois desertores do grupo dos oficiais da Academia Militar ilustraram a movimentação no território fronteiriço e partilharam o estado de espírito dominante na ocasião mas também nos dias de hoje.

Os dados da Guerra Colonial foram divulgados em termos de desertores, refratários e faltosos, tema que Miguel Cardina explicitou associando-os também à imigração já que os recursos utilizados para atravessar a fronteira a salto eram comuns.

À procura dos cenários das fotografias de outrora

O exemplo do pique nique com os familiares de António Baltazar que teve umas tripas à moda do Porto na ementa e que serviu para ponto de encontro com o passador retirou à peça o dramatismo habitual destas fugas, por sinal também bastante fotografada.

As barbaridades da Guerra suja, como a classificou Fernando Cardeira, relatadas na Academia Militar e muitas outras circunstâncias que o desertor também relatou no texto-testemunho que escreveu para o Livro Exílios nº1 estiveram na base de uma deserção coletiva que adquiriu a justo título uma elevada notoriedade. Paradoxalmente, como afirmou Miguel Cardina, um ministro do então regime aumentou-lhe significativamente o impacto público ao ter deferido graves acusações de traição na imprensa nacional.

Deserção e colonialismo

O documentário fornece mais um contributo à clarificação da figura e da condição de invisibilidade dos desertores e abordou várias subtemas de importância central como a violência na guerra e a sua relação com “a narrativa dominante do colonialismo português” que Miguel Cardina mencionou.

A Suécia, como país de acolhimento de exilados e desertores, foi valorizada pela sua abertura às lutas anti-colonais e à defesa dos direitos humanos.

Imagens, fonte video da RTP | Imagens Exílios1 – AEP61-74

Deserção Suécia

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