LIVROS | A geografia afetiva da Helena

SEM FRONTEIRAS | 2 de março 2021 | Livros

Se não sabia que tem uma geografia afetiva, pois fique a saber que a tem. Helena Cabeçadas ilustra esta formulação singular na sua apresentação deste livro que adota Macau como cenário de fundo. Eu próprio me surpreendi a realizar um exercício de cartografia virtual relacionado com o tema e fui surpreendido pelos resultados.

Por exemplo Belfast foi para mim durante anos a fio a cidade das lutas do IRA, das confrontações com e exército inglês, dos bairros e dos combatentes corajosos que o filme “Em nome do pai” nos revela. Aconteceu que no início do século estive naquela cidade em missão, como perito das Redes Temáticas Nacionais da IC Equal. Numa circunstância pouco comum a representante italiana da Comissão Europeia na Conferência teve repentinamente um problema de saúde e foi levada por uma ambulância para o Hospital Central. Constatei que ia sozinha no transporte de urgência já que os anfitriões não entenderam como elementar acompanhar direta e pessoalmente a situação. Muito à britânico afetivamente distante. E por razões que só a cultura do sul e do Mediterrâneo explicam, mandei parar a ambulância e depois de entrar, acompanhei a senhora no seu périplo hospitalar ao longo do dia. Ficámos amigos e, de tempos a tempos, escrevemo-nos sobre a evolução das famílias e das peripécias europeias. Para mim Belfast entrou na minha geografia dos afetos por via de uma amizade que ainda hoje permanece.

Em nome da mãe

Letícia, filha de Helena, escreveu e esclareceu “Acabou de sair o livro “Macau, uma cidade improvável” escrito pela minha mãe, que nos dá a descobrir a sua visão e experiência afectiva deste curioso lugar onde morei os primeiros anos da minha vida.

A ilustração da capa surge a partir de uma linogravura que fiz, na qual se encontra representado o mapa de Macau com a sua baía, em frente à qual morávamos.

Este mapa toma a forma do dragão que aparece nas festividades chinesas, com os seus quarteirões-escama e dentes-prédio que devoram os juncos que por ali navegam como se fossem as Pérolas do Rio, uuuivando A-MÁcauuÚ à Deusa do Céu.

Helena, não de Tróia, mas de Macau

A própria Helena relata “Acabadinho de sair, o meu último livro! E assim fica completa a minha geografia afectiva. Deixo-vos aqui um resumo e se estiverem interessados num exemplar escrevam-me por mensagem privada.

Este é um livro sobre Macau, uma cidade singular e improvável. É a cidade que eu fui descobrindo, com fascínio e exasperação, ao longo dos quase cinco anos em que lá vivi: as ruelas labirínticas, as alucinantes lojas de velharias e de animais para comer, o Porto Interior, com a sua população flutuante, fervilhante de vida, o contraste violento entre a Macau antiga, amável e decadente e a afirmação de uma modernidade agressiva, os múltiplos restaurantes, de comidas apetitosas e sabores subtis, o mercado com os seus cheiros intensos e, por vezes, nauseabundos, as farmácias intrigantes, a elegância da escrita, os casinos rodeados de casas de penhores, a omnipresença do jogo, a total ausência de repouso,

Questões como a psicologia e o pensamento chinês são aqui postos em destaque, tal como o problema da droga e das sociedades secretas, aspectos menos conhecidos e menos luminosos da vivência da cidade.

Editora Colibri Apresentação de António Bracinha Vieira

Capa de Raquel Ferreira. Ilustração da capa: Letícia Cabeçadas do Carmo 15€+portes de envio

Se estiverem interessados num exemplar contactem directamente a Helena Cabeçadas por mensagem privada.

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