Oito de Março no Brasil, sobreviver é um ato de resistência

DIA INTERNACIONAL DA MULHER 2021

SEM FRONTEIRAS | 8 de março 2021 | Opinião | Dia Internacional da Mulher

8 de Março no Brasil: sobreviver é um ato de resistência

por Camila Craveiro

Ainda no século passado, Beauvoir nos alertava para o fato de uma crise ser o suficiente para que os direitos das mulheres fossem questionados. No Brasil, onde as crises se sucedem, perdendo o caráter transitório, os direitos conquistados se encontram sempre na berlinda.

Pelo menos desde 2013, experimentamos uma crise política potencializada pelo descrédito das instituições que suportam o regime democrático. Em 2018, elegemos um governo autoritário e ineficiente. E, em 2020, a pandemia aqui encontrou terreno fértil para o caos. É neste contexto em que escrevo, portanto me adianto no pedido de desculpas se esse texto traz muito pouco de celebração.

Padrão hetero-cis-normativo

No Brasil de Damares, a ministra de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos – para quem mulher e família só existem enquanto conformadas no padrão hetero-cis-normativo -, a garantia e a promoção dos nossos direitos agora se encontram atrelados ao que é aceitável por determinada denominação religiosa.

E assim, relegadas à resiliência, à necessidade de sobrevivência, nossa luta cotidiana é contra o medo, que a pandemia e a política genocida instaurada fazem multiplicar seus espectros: medo da morte, medo da fome, medo do desemprego, medo do feminicídio, medo de deixar filhos desamparados, medo de não conseguir cuidar como deveria, medo de não conseguir produzir como deveria, medo de falar, medo dos silêncios…

Ressurgir mais fortes

O medo paralisa. E é como nos encontramos agora: com nossa capacidade de mobilização e de enfrentamento (espero!), temporariamente, suspensas.

Resta-nos a esperança de que esse período de rearticulação seja breve e nos permita ressurgir mais fortes, seguindo (e aqui recorro a Eduardo Galeano) “o mistério da persistência humana, às vezes inexplicável, de lutar por um mundo que seja casa de todos e não casa de poucos – e inferno da maioria”.

Camila Craveiro | Publicitária/Doutora em Ciências da ComunicaçãoProfessora no UNIGOIÁS

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