A partir do passado, reflectir sobre o presente e pensar o futuro

OPINIÃO | Joana Gomes Cardoso

O Museu do Aljube -Resistência e Liberdade, antiga prisão do Estado Novo por onde passaram muitos presos políticos, têm uma missão, ou mesmo obrigação,  especial de preservar e homenagear a memória dos e das resistentes. Mas isso não significa que deva ficar preso no passado.

Mulheres e Resistência – Novas Cartas Portuguesas e outras lutas

A exposição que inaugurou esta semana, sobre as Novas Cartas Portuguesas, é um bom exemplo de como se pode, a partir do passado, reflectir sobre o presente e pensar o futuro. Para quem não saiba (e devem ser muitas pessoas, sobretudo as mais jovens): há 50 anos, três mulheres, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa publicaram um livro sobre a condição das mulheres portuguesas que foi censurado e destruído três dias depois do seu lançamento.

As três “Marias” como o caso ficou conhecido pelo mundo fora, foram levadas a tribunal, acusadas de terem escrito um livro pornográfico e atentatório da moral pública e bons costumes.Nesta exposição, os visitantes podem ver os originais do livro, bem como os comentários dos censores e das figuras do regime, e ouvir na primeira voz os testemunhos das três autoras.

De Nova Iorque a Paris

Recriaram-se posters com os slogans que, de Nova Iorque a Paris, estiveram solidários com as “three Marias” (mantiveram-se os erros ortográficos dos originais). E recorda-se a falta de direitos que as mulheres tinham naquela altura. Pensando nos dias de hoje se, por um lado, é evidente que existiram várias conquistas, basta pensar nas desigualdades salariais e na violência doméstica para concluir que, ainda assim, ainda há muito caminho para fazer. E a partir desta exposição percebe-se melhor as razões e as causas dessa discriminação.

Fotos : utilizada pelo Museu do Aljube Resistência e Liberdade e Joana Gomes Cardoso

Opinião Joana Gomes Cardoso | Editado CR-Sem Fronteiras, 8 de maio 2021

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