OPINIÃO | 1° de maio

por Luisa Semedo, editado CR| Sem fronteiras

Dia para pensar no Bary Keita que morreu no dia 18 de abril depois de uma queda no local de trabalho.

Dia para pensar no Ibrahim que há poucos dias caiu do andaime em que trabalhava, ficou inconsciente e o patrão em vez de o levar ao hospital ou chamar uma ambulância deixou-o sem assistência no dormitório para imigrantes onde vive.

Dia para pensar em todas as trabalhadoras e trabalhadores sem documentos e que por isso são explorados, não têm acesso a direitos básicos e por vezes nem têm a certeza de serem pagos e vivem sempre com o medo de serem expulsos.

Dia para pensar nas trabalhadoras e trabalhadores racializados que são acusados de não fazer nada e de viver de subsídios.

Dia para pensar nas trabalhadoras que recebem menos que os trabalhadores.

Dia para pensar nas trabalhadoras e trabalhadores cujo salário não chega para viver dignamente.

Dia para pensar nas trabalhadoras e trabalhadores obrigados a ter vários trabalhos para poder sobreviver.

Dia para pensar no escândalo do custo da habitação que leva grande parte do salário.

Dia para pensar nos desempregados, nos jovens, nos reformados.

Dia para pensar na Esquerda, nos sindicatos, nas organizações, nas associações, em todas e todos aqueles que lutaram e lutam por Direitos e dignidade.

Dia para pensar em quem milita neste momento para ultrapassar uma visão retrógrada, fatalista ou valorizada do trabalho como sacrifício.

Obrigada a quem obra pelo Rendimento Básico Incondicional (RBI), a quem considera que somos espertos o suficiente para pensar de forma coletiva em como conciliar trabalho escolhido, acesso a Direitos fundamentais e repartição justa das riquezas.

Viva o 1° de Maio! O progresso não acontece sozinho.

Fonte: imagens Luísa Semedo

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