Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos a instalar no Largo da Boa-Hora

PRESOS E PERSEGUIDOS POLÍTICOS

HISTÓRIA – H | MEMORIAL AOS PRESOS E PERSEGUIDOS POLÍTICOS.

por Helena Pato | Editado CR-Sem Fronteiras

Os subscritores da proposta apresentada à Câmara Municipal de Lisboa destacam o empenho do município por ter-lhe dado seguimento, empenhando-se, desde há dois anos, no projecto que propusemos e deixamos abaixo.

Subscreveram a proposta à CML onze antifascistas:Artur Pinto, Alfredo Caldeira, Diana Andringa, Helena Pato, Joana Lopes, João Esteves, Luís Farinha, Margarida Tengarrinha, Pedro Adão e Silva, Rita Veloso, Sara Amâncio.

O texto da nossa proposta

A Câmara Municipal de Lisboa entende prestar justo tributo a quantos se bateram pela liberdade e sofreram a repressão que submeteu o nosso país durante quase meio século.

Dando seguimento a uma proposta apresentada por um grupo de cidadãos, pretende se erigir um grupo escultórico que constitua um Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos, a instalar no Largo da Boa-Hora, local onde funcionaram os chamados “Tribunais Plenários” de Lisboa, que se distinguiram, a partir de 1945, na repressão de todas as manifestações consideradas “subversivas” pelo regime deposto em 25 de abril de 1974 (ver nota abaixo).

A criação desse Memorial pretende constituir também uma homenagem às famílias dos presos e perseguidos, permitindo transmitir às novas gerações informações e melhor conhecimento sobre esse período da nossa História, sem esquecer a violência repressiva usada nas então colónias portuguesas. Neste âmbito, pretende a Câmara Municipal de Lisboa intervencionar o referido Largo, aí implantando uma peça escultórica de dimensão que cumpra o propósito definido. Para o efeito, deverá ser aberto concurso público que, em prazo a determinar, permita a apresentação de propostas de arranjo do Largo da Boa-Hora e de conceção e implantação de um Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos.

Inclusão de uma grade de prisão

O referido Memorial deverá apresentar uma dimensão que assegure a sua plena visibilidade a partir da Rua Nova do Almada, considerando o tratamento da área envolvente, sem prejuízo dos acessos ao parque de estacionamento Baixa-Chiado. O Memorial deverá ter uma conceção simples, moderna e clara, em que se poderá, designadamente, considerar a inclusão de uma grade de prisão alusiva ao tema escolhido. Deverá ainda o referido Memorial conter, de forma bem visível, a inscrição “Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos (1926-1974)”. Poderá ainda considerar-se a criação de um painel numa parede adjacente com informação complementar sobre o Memorial e, também, um QRCode que permita o acesso ao Memorial online (ver abaixo).

Tendo em vista uma adequada ponderação dos projetos que venham a ser apresentados, a CML criará uma comissão de acompanhamento de três elementos, a indicar pelos cidadãos proponentes, que deverá, em articulação com os serviços municipais competentes, dar sugestões e parecer sobre as diferentes fases do concurso e, em especial, apoiar a seleção dos projetos concorrentes. A criação do Memorial deverá decorrer em estreita articulação com o Museu do Aljube, designadamente na procura de consolidação e divulgação de aspetos essenciais da história da Resistência, assegurando os meios adequados e desenvolvendo esforços de cooperação com outras entidades, designadamente o Arquivo Nacional da Torre do Tombo e o Museu Nacional Resistência e Liberdade, na Fortaleza de Peniche, mobilizando outras instituições para a realização de atividades culturais regulares.

H. Pato

Foto de destaque Foto do memorial temporário na Estação Baixa- Chiado, (de 25 Abril 2019 a 25 Abril 2020)

1 Comment

  1. Muito me apraz tomar conhecimento desta iniciativa. Não temos os Museus da Resistência e da Deportação que conheci na Bélgica e sei existirem em todos os países que os nazis ocuparam, mas temos marcadas na memória a prepotência e a ignomínia que caracterizaram a Ditadura, a que foram sujeitos tantos portugueses até ao paroxismo da loucura e do suicídio.
    Ademais, se aos ex-combatentes igualmente feridos, no corpo ou na alma, pela guerra colonial, nunca foi feita devida justiça, que dizer do silêncio completo com que a jovem democracia cobriu, como se fosse preciso ocultar qualquer vergonha, a condição dos prisioneiros políticos? Vidas adiadas, perda de direitos, negação do direito de exercer a sua profissão, até recusa de entrega, pela universidade, do título dos estudos feitos! E o mais das vezes, toda a restante existência decorreu, no Portugal de Abril, sob muito pouco satisfatório reconhecimento. Como se não bastassem os fantasmas remanescentes dos tempos passados no cárcere, a II República ignorou os ex-prisioneiros políticos sobre cujo altruísta sacrifício, também, veio fundar-se um regime menos iníquo.
    O tempo que passou… Começaram já a ir-se do nosso convívio sem que lhes tenha sido rendida a forçosamente devida homenagem. Por isso é tão bem vindo este monumento.
    Ai, português marinheiro, ai… Ai que no mar deixaste a memória…

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