{"id":4505,"date":"2024-11-14T20:37:59","date_gmt":"2024-11-14T20:37:59","guid":{"rendered":"https:\/\/aep61-74.org\/?p=4505"},"modified":"2026-05-05T11:16:57","modified_gmt":"2026-05-05T11:16:57","slug":"emigracao-nos-anos-60-franca-terra-de-imigracao-economica-e-ou-exilio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/2024\/11\/14\/emigracao-nos-anos-60-franca-terra-de-imigracao-economica-e-ou-exilio\/","title":{"rendered":"EMIGRA\u00c7\u00c3O NOS ANOS 60, FRAN\u00c7A TERRA DE IMIGRA\u00c7\u00c3O ECON\u00d3MICA E\/OU EX\u00cdLIO?"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"has-large-font-size wp-block-heading\"><strong>Jos\u00e9 Augusto Martins<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"710\" src=\"https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/emigracao-1-2-1024x710.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4524\" srcset=\"https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/emigracao-1-2-1024x710.jpg 1024w, https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/emigracao-1-2-300x208.jpg 300w, https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/emigracao-1-2-768x532.jpg 768w, https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/emigracao-1-2-1536x1065.jpg 1536w, https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/emigracao-1-2.jpg 1704w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Destinos da emigra\u00e7\u00e3o de jovens 1961-1974 (cartaz AEP61-74 &#8211; Coluna militar portuguesa na guerra colonial (Sebasti\u00e3o Salgado em Ex\u00edlios 3)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Em 1966 passei a fronteira a salto na zona das Minas de S\u00e3o Domingos em dire\u00e7\u00e3o a Paris, para escapar a uma poss\u00edvel pris\u00e3o por estar envolvido, como militante, na FAP e CMLP (Frente de Ac\u00e7\u00e3o Popular e Comit\u00e9 Marxista-Leninista Portugu\u00eas \u2013 movimentos dissidentes do PCP, Partido Comunista Portugu\u00eas) e isto na sequ\u00eancia da pris\u00e3o dos seus dirigentes Rui d\u2019Espinay e Francisco Martins.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Em Paris fui apoiado pelos meus companheiros daqueles movimentos que me encaminharam para uma organiza\u00e7\u00e3o francesa de solidariedade social de apoio aos refugiados, fundada em 1939, a Cimade (Comit\u00e9 Inter-Mouvements Aupr\u00e8s Des \u00c9vacu\u00e9s).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Foi gra\u00e7as a esta organiza\u00e7\u00e3o que me orientou no sentido de obter autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia e posteriormente o estatuto de refugiado junto do OFPRA <a href=\"#_edn1\">[i]<\/a>, permitindo-me finalizar em 1971-1972 os estudos de Economia na Universidade de Paris.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">J\u00e1 com os estudos completados, fiz, em 1972, a pedido daquela organiza\u00e7\u00e3o, um pequeno estudo sobre a situa\u00e7\u00e3o dos refugiados em Fran\u00e7a, com um cap\u00edtulo sobre os refugiados portugueses em Fran\u00e7a, que agora reedito \u00e0 luz de 2024, ainda que com algumas limita\u00e7\u00f5es pois resulta essencialmente de informa\u00e7\u00e3o estat\u00edstica recolhida em 1972, com algumas atualiza\u00e7\u00f5es consultadas em VOLOVITCH-TAVAR\u00c8S,\u00a0 BAGANHA, PEREIRA e\u00a0\u00a0 CARDINA (ver notas).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>Ex\u00edlio anterior a 1961<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Desde o in\u00edcio da ditadura fascista em Portugal, os membros da oposi\u00e7\u00e3o viram-se frequentemente for\u00e7ados a escolher o ex\u00edlio, \u00fanica forma de escapar \u00e0 repress\u00e3o, muitos dirigindo-se \u00e0 Am\u00e9rica Latina mas, tamb\u00e9m \u00e0 Europa Ocidental e mesmo \u00e0 Europa de leste, onde procuravam a prote\u00e7\u00e3o que a sua situa\u00e7\u00e3o exigia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A emigra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica seguiu, em parte, antes de 1960, a emigra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, dirigida preferencialmente para o Brasil, Venezuela e outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul. Por um lado, existiam importantes liga\u00e7\u00f5es culturais com esta regi\u00e3o do mundo, por outro, os regimes pol\u00edticos ali eram bastante abertos, n\u00e3o discriminando os rec\u00e9m-chegados. Foi assim que se formaram grupos de opositores ao regime de Salazar nestes pa\u00edses, especialmente nas cidades de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Caracas. O capit\u00e3o Henrique Galv\u00e3o, que sequestrou o transatl\u00e2ntico portugu\u00eas \u201cSanta Maria\u201d em 1961, escolheu o Brasil como p\u00e1tria de ex\u00edlio. O General Humberto Delgado, depois da derrota que sofreu nas elei\u00e7\u00f5es fraudulentas de 1958, era ativamente procurado pela pol\u00edcia pol\u00edtica portuguesa (PIDE). Refugiou-se na embaixada do Brasil em Lisboa e partiu com salvo-conduto daquele pa\u00eds para o Rio de Janeiro. Estas duas personalidades conhecidas s\u00e3o apenas um mero exemplo do amplo movimento de intelectuais democr\u00e1ticos que trocaram Portugal pela Am\u00e9rica do Sul na d\u00e9cada de 1950.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">&nbsp;Os pa\u00edses do leste europeu, por seu lado, acolheram membros do Partido Comunista Portugu\u00eas procurados pela pol\u00edcia, que partiram principalmente para a URSS e a Checoslov\u00e1quia, ainda que muitos tenham optado por ficar em Fran\u00e7a e particularmente em Paris.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">At\u00e9 ao final da d\u00e9cada de 1950, esse movimento geral n\u00e3o foi muito significativo. N\u00e3o \u00e9 um movimento de massas, apenas emigra por motivos pol\u00edticos uma camada intelectual composta por conhecidas personalidades democr\u00e1ticas, ou militantes do Partido Comunista Portugu\u00eas. Isto est\u00e1 relacionado com as dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o que eram grandes na altura e com o facto dos pa\u00edses de acolhimento serem poucos e distantes. Al\u00e9m disso, a repress\u00e3o era muito seletiva e afetava principalmente os trabalhadores politicamente ativos que n\u00e3o dispunham dos meios necess\u00e1rios para escapar para o mundo exterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>Emigra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e ex\u00edlio de 1961 a 1971<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O in\u00edcio da guerra colonial em Angola em 1961, o conflito sino-sovi\u00e9tico e as suas consequ\u00eancias em Portugal em 1963\/1964, trouxeram mudan\u00e7as significativas na situa\u00e7\u00e3o tradicional. A partir do per\u00edodo eleitoral de 1958, uma grave crise abalou os trabalhadores, camponeses e estudantes, numa escala nunca antes alcan\u00e7ada na hist\u00f3ria do regime.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Foi nesta altura que ocorreu o sequestro do navio de cruzeiro \u201cSanta Maria\u201d, o ataque a um quartel militar na cidade de Beja por cerca de uma centena de homens armados, a crise estudantil de 1962, bem como a greve geral pelas oito horas de trabalho dos camponeses assalariados do Alentejo. Todo este grande movimento de protesto culminou no 1\u00ba de maio de 1962 com uma grande manifesta\u00e7\u00e3o e lutas de rua em Lisboa que mobilizaram cerca de cem mil pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A emigra\u00e7\u00e3o portuguesa econ\u00f3mica e exilada, para Fran\u00e7a, de 1961 at\u00e9 1974 carateriza, assim, uma \u00e9poca particularmente dif\u00edcil em Portugal, n\u00e3o s\u00f3 pelas duras condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas vividas pelas popula\u00e7\u00f5es rurais e urbanas, mas tamb\u00e9m pelo surgimento da guerra de liberta\u00e7\u00e3o dos povos da Guin\u00e9-Bissau, Angola e Mo\u00e7ambique e a consequente mobiliza\u00e7\u00e3o de jovens para o combate contra os movimentos nacionalistas para n\u00e3o falar das condi\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o a tudo que fosse manifesta\u00e7\u00e3o contra a ditadura de Salazar e mais tarde de Marcelo Caetano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>1961-1971 \u2013 Intensifica\u00e7\u00e3o progressiva do fluxo de emigrantes para Fran\u00e7a que se torna o pa\u00eds de ex\u00edlio para muitos portugueses<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra em Angola em 1961, a situa\u00e7\u00e3o militar agravou-se com a abertura de uma nova frente de combate em 1963 na Guin\u00e9-Bissau. A evolu\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar, que se deteriora progressivamente, tem como consequ\u00eancia um movimento crescente de fuga da guerra e da emigra\u00e7\u00e3o ilegal, bem como a sa\u00edda de numerosos ativistas procurados pela PIDE, escolhendo preferencialmente, desta vez, a Fran\u00e7a como pa\u00eds de asilo, dada a proximidade com Portugal e as facilidades oferecidas aos indocumentados para regulariza\u00e7\u00e3o da resid\u00eancia. Em geral n\u00e3o se preocupavam muito em obter o estatuto de refugiado, preferindo passar despercebidos aos olhos das autoridades francesas que mantinham contactos com a pol\u00edcia portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Podemos constatar este facto analisando os dados que coligi em 1972, relativos \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de trabalhadores portugueses imigrantes entrados em Fran\u00e7a desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de sessenta, aumentando progressivamente de 4007 em 1960 para 64628 em 1971, com um n\u00famero m\u00e1ximo de 89634 em 1970 (ver Quadro 1), diminuindo a partir de 1971 at\u00e9 14339 em 1974.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Assistimos assim a um crescimento inesperado da emigra\u00e7\u00e3o para Fran\u00e7a, em especial das camadas de jovens do sexo masculino \u00e0 medida que a guerra se foi intensificando e alastrando \u00e0s tr\u00eas col\u00f3nias acima mencionadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Dados sobre a emigra\u00e7\u00e3o portuguesa em geral por destinos, constantes em artigo de Maria Ioannis B. BAGANHA <a href=\"#_edn2\">[ii]<\/a>, de que reproduzimos os respeitantes ao per\u00edodo 1958 \u2013 1974 (quadro 2), confirmam a referida evolu\u00e7\u00e3o para o caso da Fran\u00e7a, aumentando significativamente entre 1961 e 1970.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Assim, de acordo com o Quadro 2, com n\u00fameros superiores aos do Quadro 1, que incluia apenas o n\u00famero de trabalhadores imigrantes entrados em Fran\u00e7a sem as fam\u00edlias, a emigra\u00e7\u00e3o de portugueses para Fran\u00e7a passaria de 6434 em 1960 para 110820&nbsp; em 1971, com um n\u00famero m\u00e1ximo de 135667, em 1970, reduzindo-se progressivamente este n\u00famero at\u00e9 37727 em 1974. No total o n\u00famero de emigrantes para Fran\u00e7a durante todo o per\u00edodo da guerra colonial, 1961-1974, teria sido de 878479.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A maior parte desta nova emigra\u00e7\u00e3o acontece clandestinamente com passadores contrabandistas que habitualmente pedem 6.000 a 12.000 escudos (1.000 a 2.000 francos ao c\u00e2mbio da \u00e9poca) a cada trabalhador pela viagem, ainda que este valor possa ter mostrado uma tend\u00eancia para diminuir quando ficou clara a flexibilidade da Fran\u00e7a no que respeita \u00e0 atribui\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia a portugueses sem passaporte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A viagem \u201ca salto\u201d, realizada de forma clandestina, afetava essencialmente jovens que n\u00e3o se inscreviam no recenseamento militar (compelidos ou faltosos) ou n\u00e3o compareciam quando chamados para serem incorporados (refrat\u00e1rios), escapando ao servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio, bem como muitos desertores e refugiados pol\u00edticos, na sua maioria impedidos de terem passaporte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Na \u00e9poca, a Fran\u00e7a tinha necessidades de m\u00e3o-de-obra, o que teve como consequ\u00eancia uma pol\u00edtica flex\u00edvel relativa aos trabalhadores imigrantes portugueses que entravam ilegalmente no territ\u00f3rio, regularizando de forma simplificada a resid\u00eancia dos que n\u00e3o possu\u00edam passaporte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Outros fatores acentuam a tend\u00eancia da emigra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica portuguesa em dire\u00e7\u00e3o de Fran\u00e7a e dos pa\u00edses da Europa em geral, e n\u00e3o para a Am\u00e9rica Latina, como o golpe militar no Brasil em Abril de 1964, que desincentivou o ex\u00edlio dos portugueses que acontecia anteriormente. Havia receio de repress\u00e3o neste pa\u00eds, e at\u00e9 os intelectuais preferiram tentar a sorte na Fran\u00e7a, B\u00e9lgica, Su\u00ed\u00e7a e Reino Unido, pa\u00edses cujas l\u00ednguas conheciam, ou noutros pa\u00edses europeus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Por sua vez, as cis\u00f5es ocorridas no Partido Comunista Portugu\u00eas ap\u00f3s a eclos\u00e3o das diverg\u00eancias entre o Partido Comunista da URSS e o da China, criaram novas camadas de militantes de extrema-esquerda que n\u00e3o aceitam o Partido tradicional, eliminando para aqueles qualquer possibilidade de ex\u00edlio nos pa\u00edses do leste europeu. Assim, muitos jovens, trabalhadores, estudantes, refrat\u00e1rios e desertores do ex\u00e9rcito colonial foram durante a d\u00e9cada de 1960 essencialmente para Fran\u00e7a e em menor n\u00famero para outros pa\u00edses da Europa Ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Estes pa\u00edses tornam-se assim o centro da emigra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica portuguesa, tal como j\u00e1 o eram para outras nacionalidades.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"814\" height=\"741\" src=\"https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/quadro-1-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4571\" srcset=\"https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/quadro-1-2.jpg 814w, https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/quadro-1-2-300x273.jpg 300w, https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/quadro-1-2-768x699.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 814px) 100vw, 814px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">* Estimativa <a href=\"#_edn3\">[iii]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong>Quadro 1<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"> <strong>Trabalhadores Imigrantes sem familiares, incluindo jovens do sexo masculino<\/strong> <strong>que vieram para Fran\u00e7a em idade militar (fonte &#8211; O.N.I.<a href=\"#_edn4\">[iv]<\/a>)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Tamb\u00e9m a extens\u00e3o da frente militar a Mo\u00e7ambique em 1964 obrigou o governo portugu\u00eas a aumentar o contingente expedicion\u00e1rio e gradualmente o servi\u00e7o militar para tr\u00eas anos e meio\/quatro anos, quando no in\u00edcio da guerra era de dois anos, contribuindo tamb\u00e9m para o aumento progressivo da fuga de jovens e em geral de emigrantes para o estrangeiro, em especial para Fran\u00e7a, que se tornam a melhor rede de apoio a todos que v\u00e3o aparecendo, incluindo refugiados pol\u00edticos, desertores, refrat\u00e1rios e faltosos. (Quadro 1).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"407\" src=\"https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/emigracao-2-1024x407.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4575\" srcset=\"https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/emigracao-2-1024x407.jpg 1024w, https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/emigracao-2-300x119.jpg 300w, https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/emigracao-2-768x305.jpg 768w, https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/emigracao-2-1536x610.jpg 1536w, https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/emigracao-2-2048x814.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Jovens Teatro Oper\u00e1rio &#8211; sul de Paris 1974\/Pescadores da Nazar\u00e9 1965 (Jos\u00e9 Augusto Martins<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Muitos jovens abandonam Portugal para n\u00e3o combaterem na guerra colonial; s\u00e3o estes jovens que muitas vezes tiveram experi\u00eancia militante, no quadro de lutas estudantis sindicais ou pol\u00edticas, antes de serem chamados para cumprir o servi\u00e7o militar, que constituem a maior parte dos que abandonaram Portugal por uma op\u00e7\u00e3o que \u00e9 por excel\u00eancia pol\u00edtica. A maioria tenta vir para Fran\u00e7a antes do servi\u00e7o militar, uma minoria deserta, arriscando 5 anos de pris\u00e3o se for apanhada pela pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Assim a Fran\u00e7a tornou-se na d\u00e9cada de 1960 o pa\u00eds de acolhimento por excel\u00eancia de todos que procuravam escapar \u00e0 mis\u00e9ria, \u00e0 guerra e \u00e0 repress\u00e3o, j\u00e1 que acolhia sem grandes restri\u00e7\u00f5es, pelo menos at\u00e9 ao final de 1971, os emigrantes portugueses incluindo os que viajavam sem passaporte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Este per\u00edodo (1961 a 1971) \u00e9 assim muito interessante para a an\u00e1lise do \u00eaxodo, pois est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de repress\u00e3o, pobreza e recusa da guerra colonial, a repress\u00e3o atingindo duramente os que estiveram por detr\u00e1s destes movimentos de massas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>Redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de emigrantes para Fran\u00e7a a partir de 1971-1972<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Em 1971 foram assinados acordos com o governo portugu\u00eas fixando o n\u00famero anual de trabalhadores portugueses aceites pela Fran\u00e7a em 65.000 aos quais se poderiam juntar as respetivas fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Este acordo prejudicava essencialmente os refrat\u00e1rios, impedidos de entrar em Fran\u00e7a se n\u00e3o possu\u00edssem passaporte e tivessem menos de 21 anos, sendo este esclarecimento enviado, em dezembro de 1971, pelo Ministro do Interior aos prefeitos, a t\u00edtulo de diretivas relativas \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o dos acordos Portugal \u2013 Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Durante este ano de 1971, a Fran\u00e7a n\u00e3o imp\u00f4s medidas de recusa de entrada aos portugueses que chegaram em situa\u00e7\u00e3o irregular. No entanto, os efeitos de uma forte campanha de propaganda em Portugal contra a emigra\u00e7\u00e3o ilegal, lan\u00e7ando falsos rumores sobre medidas de recusa em 1971 por parte do governo franc\u00eas, possivelmente teve como efeito a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de jovens que recusam prestar o servi\u00e7o militar bem como o total de emigrantes que saem de Portugal em dire\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Assim a situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a alterar-se em 1971 e agravou-se em 1972 e anos seguintes com a entrada em vigor do acordo entre Fran\u00e7a e Portugal restringindo a regulariza\u00e7\u00e3o de imigrantes sem passaporte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Como mencionado, j\u00e1 em 1971 o total de trabalhadores imigrantes entrados em Fran\u00e7a diminuiu, o que aconteceu igualmente com o n\u00famero de jovens trabalhadores do sexo masculino que passam de 17234 em 1970 para 11865 em 1971 (Quadro 1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Nos anos seguintes o n\u00famero de trabalhadores imigrantes portugueses acolhidos em Fran\u00e7a continua a diminuir, 30475 em 1972, 32082 em 1973, com a prov\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o de jovens em idade militar e finalmente em 1974, com a revolu\u00e7\u00e3o de abril, o movimento de ex\u00edlio estancou bruscamente passando o n\u00famero de trabalhadores imigrantes acolhidos em Fran\u00e7a para 14339<a href=\"#_edn5\">[v]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">De acordo com os n\u00fameros de emigra\u00e7\u00e3o total para Fran\u00e7a, nestes anos, o seu n\u00famero passou de 110820 em 1971, 68692 em 1972, 63942 em 1973 e 37727 em 1974 (Quadro 2)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refugiados, exilados ou emigrantes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A Fran\u00e7a, talvez por manter uma rela\u00e7\u00e3o regular com Portugal nunca quis assumir claramente a aceita\u00e7\u00e3o de refugiados pol\u00edticos portugueses. Estes eram considerados de forma muito estrita, sendo necess\u00e1rio provar que os candidatos a este estatuto tivessem sido objeto de persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em Portugal, n\u00e3o sendo considerada normalmente a recusa da participa\u00e7\u00e3o na guerra colonial, a deser\u00e7\u00e3o, ou a n\u00e3o compar\u00eancia \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o ou \u00e0 inspe\u00e7\u00e3o, como motivos suficientes para que o estatuto de refugiado pol\u00edtico fosse atribu\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Assim, no per\u00edodo de 1958 a 1974, o n\u00famero de solicita\u00e7\u00f5es do estatuto foi relativamente reduzido, 608, sendo as aprovadas de pouco mais de metade, 314<a href=\"#_edn6\">[vi]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"826\" height=\"773\" src=\"https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/quadro-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4572\" srcset=\"https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/quadro-2.jpg 826w, https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/quadro-2-300x281.jpg 300w, https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/quadro-2-768x719.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 826px) 100vw, 826px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Quadro 2<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Emigrantes 1958 \u2013 1974 por pa\u00edses\/regi\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">(BAGANHA, p\u00e1gina 975)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Sendo a incorpora\u00e7\u00e3o aos 20 anos e com base na informa\u00e7\u00e3o recolhida em 1972, estimou-se o n\u00famero total dos que recusaram o servi\u00e7o militar, desertores e refrat\u00e1rios, que procuraram a Fran\u00e7a como pa\u00eds de acolhimento, recorrendo \u00e0s estat\u00edsticas francesas de jovens trabalhadores do sexo masculino em idade militar que obt\u00eam resid\u00eancia em Fran\u00e7a entre 1961 e 1971.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Em rela\u00e7\u00e3o a poss\u00edveis desertores, consider\u00e1mos o total de imigrantes trabalhadores&nbsp; com 21 a 23 anos, no per\u00edodo 1967-1971, 8677,&nbsp; cerca de 2,9% do total de trabalhadores imigrantes (300723). Aplicando esta percentagem ao total (180409) no per\u00edodo anterior (1961 \u2013 1966), em que n\u00e3o existem estat\u00edsticas por faixas et\u00e1rias, temos uma estimativa de 5205 jovens de 21 a 23 anos de idade. Assim, de 1961 a 1971, podemos estimar o total de jovens do sexo masculino com estas idades, que imigraram para Fran\u00e7a em 13882, e que podem ser considerados como poss\u00edveis desertores, por terem abandonado as for\u00e7as armadas depois de incorporados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Aplicando a mesma metodologia, o total de jovens imigrantes trabalhadores, com 18 a 20 anos,&nbsp; dever\u00e1 ser de 71249, considerados como poss\u00edveis refrat\u00e1rios (foram \u00e0 inspe\u00e7\u00e3o mas n\u00e3o foram incorporados), ou faltosos (que n\u00e3o compareceram \u00e0 inspe\u00e7\u00e3o de aptid\u00e3o para o servi\u00e7o militar).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">No total podemos estimar que imigraram para Fran\u00e7a no per\u00edodo 1961-1971, 85132 jovens trabalhadores do sexo masculino em idade militar, cerca de 17,7% do total de imigrantes entrados no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"709\" height=\"1004\" src=\"https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/paigc.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4576\" srcset=\"https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/paigc.jpg 709w, https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/paigc-212x300.jpg 212w\" sizes=\"auto, (max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><figcaption>Alunos da Academia Militar que desertaram &#8211; Jornal PAIGC Actualit\u00e9s &#8211; setembro 1970<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Juntando a informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel em VOLOVITCH-TAVAR\u00c8S, relativa aos trabalhadores imigrados portugueses em Fran\u00e7a nos anos 1972-1974, e o mesmo m\u00e9todo, teremos assim, 558028 imigrantes trabalhadores nos anos 1961 \u2013 1974, podendo-se considerar 98738 jovens trabalhadores do sexo masculino em idade militar, 16101 desertores e 82636 refrat\u00e1rios e faltosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Considerando o que foi mencionado anteriormente que muitas vezes os portugueses&nbsp; que vinham para Fran\u00e7a, por recusarem a guerra ou por motivos pol\u00edticos, n\u00e3o se preocupavam em solicitar o estatuto de refugiado, para n\u00e3o ficarem marcados junto das autoridades do pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9 de estranhar que as organiza\u00e7\u00f5es que apoiaram os refugiados pol\u00edticos e em particular os desertores e refrat\u00e1rios tivessem o registo de um n\u00famero reduzido deste tipo de casos. A CIMADE, por exemplo, no per\u00edodo&nbsp; de julho de 1965 a dezembro de 1970, recebeu apenas 192 desertores e 762 refrat\u00e1rios, n\u00fameros muito inferiores ao dos jovens em idade militar que imigraram para Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Saem de Portugal clandestinamente, uma vez que n\u00e3o disp\u00f5em de autoriza\u00e7\u00e3o militar e de passaporte. Ao chegarem a Fran\u00e7a, s\u00f3 t\u00eam a sua situa\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia regularizada gra\u00e7as \u00e0 boa vontade das autoridades francesas, ficando privados de qualquer prote\u00e7\u00e3o do consulado de Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Podemos considerar os motivos econ\u00f3micos para emigrarem mas temos de referir,&nbsp; sobretudo para os jovens, um verdadeiro ex\u00edlio, sendo que muitos dos emigrantes que j\u00e1 passaram a idade militar, certamente foram arrastados nesta onda para evitar que os filhos fossem lutar numa guerra que n\u00e3o lhes dizia nada, sendo tamb\u00e9m de facto exilados<a href=\"#_edn7\">[vii]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">N\u00e3o tivemos em considera\u00e7\u00e3o os mais jovens, ainda adolescentes, que n\u00e3o estavam ainda em idade militar, porque poderiam a prazo mais ou menos longo regularizar a sua situa\u00e7\u00e3o junto do Consulado de Portugal em Fran\u00e7a. Mesmo que tenham sa\u00eddo de Portugal com a inten\u00e7\u00e3o de n\u00e3o prestar servi\u00e7o militar, acabariam por poder obter passaporte e serem considerados cidad\u00e3os portugueses plenos, embora permanecessem abrangidos pela legisla\u00e7\u00e3o sobre residentes no estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Os n\u00fameros estimados de jovens em idade militar que sa\u00edram de Portugal de 1961 a 1974, para Fran\u00e7a, de 96041, 13984, possivelmente desertando, 79934, n\u00e3o comparecendo \u00e0 inspe\u00e7\u00e3o ou \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o, permitem concluir que uma percentagem significativa dos n\u00fameros para o per\u00edodo 1961-1974, sugeridos por Miguel Cardina,&nbsp; de 8000 desertores 10000 refrat\u00e1rios e 200000 faltosos<a href=\"#_edn8\">[viii]<\/a>, dirigiram-se para Fran\u00e7a, sublinhando a import\u00e2ncia que este pa\u00eds teve, ainda que n\u00e3o conscientemente, no acolhimento da di\u00e1spora portuguesa dos anos de 1960 e princ\u00edpio dos anos 1970, muito motivada para al\u00e9m de motivos econ\u00f3micos diretos, pela recusa de uma guerra injusta contra os povos das col\u00f3nias africanas. Posteriormente a partir do momento em que em 1971\/1972 a Fran\u00e7a come\u00e7ou a bloquear a atribui\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia a jovens portugueses indocumentados pelos motivos atr\u00e1s indicados a emigra\u00e7\u00e3o em geral para este pa\u00eds foi \u2013se reduzindo progressivamente at\u00e9 1974, mas aumentando para outros pa\u00edses da Am\u00e9rica e da Europa (Quadro 2).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">As dificuldades acrescidas em Fran\u00e7a de regulariza\u00e7\u00e3o de imigrantes sem passaporte, provavelmente fez com que os jovens que saiam de Portugal em idade militar desistissem de tentar ficar neste pa\u00eds, optando por sair para pa\u00edses mais sensibilizados \u00e0s lutas anti coloniais como foram os casos da Inglaterra, B\u00e9lgica, Luxemburgo, Holanda, Dinamarca e Su\u00e9cia onde se foram criando estruturas de apoio aos portugueses que recusaram a guerra colonial.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\">[i]<\/a> Office Fran\u00e7ais de Protection des R\u00e9fugi\u00e9s et Apatrides<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref2\">[ii]<\/a> BAGANHA Maria Ioannis B., As correntes emigrat\u00f3rias portuguesas no s\u00e9culo XX e o seu impacto na economia nacional, An\u00e1lise Social, vol. XXIX (128), 1994 (.\u00ba) 959-980, em https:\/\/estudogeral.uc.pt\/bitstream\/10316\/40754\/1\/As%20correntes%20emigrat%c3%b3rias%20portuguesas%20no%20s%c3%a9culo%20XX%20e%20o%20seu%20impacto%20na%20economia%20nacional.pdf, acedido em 22-12-2024<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref3\">[iii]<\/a> Consider\u00e1mos a percentagem de 17,7% de jovens do sexo masculino no total de imigrantes trabalhadores entrados em Fran\u00e7a entre os 18 e os 23 anos para o conjunto dos anos 1967-1971, como a percentagem prov\u00e1vel para os anos 1961-1966 e 1972-1974, dado que n\u00e3o tive acesso a estat\u00edsticas precisas nestes per\u00edodos, sobre esta desagrega\u00e7\u00e3o. De igual modo consider\u00e1mos as percentagens de 2,9% e 14,8% daquele total para os jovens de 21 a 23 anos, e de 18 a 20 anos<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref4\">[iv]<\/a> Office National de l\u2019Immigration<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref5\">[v]<\/a> Dados sobre trabalhadores imigrantes portugueses aceites em Fran\u00e7a de 1972 a 1974 em VOLOVITCH-TAVAR\u00c8S, Marie Christine, Les phases de l\u2019immigration portugaise, des ann\u00e9es vingt aux ann\u00e9es soixante-dix, mar\u00e7o 2001, em https:\/\/books.openedition.org\/psorbonne\/965, acedido em 12-10-2024<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref6\">[vi]<\/a> PEREIRA Victor, Les exil\u00e9s politiques portugais en France de 1958 \u00e0 1974, Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea sob a dire\u00e7\u00e3o de Anne-Sophie Perriaux. Universidade de Rouen, UFR des Lettres et Sciences Humaines, Departement d\u2019Histoire, 1999-2000, p\u00e1gina 43, em https:\/\/www.cd25a.uc.pt\/media\/pdf\/Biblioteca%20digital\/Nreg%20EB0020_Les%20exiles%20politues%20portugais%20en%20France.pdf, consultado em 22-10-2024<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref7\">[vii]<\/a> Frequentemente os pais de rapazes jovens adolescentes tomavam a decis\u00e3o de emigrar, junto com a fam\u00edlia, especialmente para Fran\u00e7a, para evitar que os filhos mais tarde fossem incorporados no servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio e conduzidos para uma guerra que lhes era estranha.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref8\">[viii]<\/a> CARDINA Miguel , A deser\u00e7\u00e3o \u00e0 Guerra Colonial: Hist\u00f3ria, Mem\u00f3ria e Pol\u00edtica, Universidade de Coimbra, Centro de Estudos Sociais, 2020 em https:\/\/impactum-journals.uc.pt\/rhi\/article\/view\/2183-8925_38_8\/6400 &#8211; consultado em 22-12-2024<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Jos\u00e9 Augusto Martins Em 1966 passei a fronteira a salto na zona das Minas de S\u00e3o Domingos em dire\u00e7\u00e3o a Paris, para escapar a uma poss\u00edvel pris\u00e3o por estar envolvido, como militante, na FAP e <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/2024\/11\/14\/emigracao-nos-anos-60-franca-terra-de-imigracao-economica-e-ou-exilio\/\" title=\"EMIGRA\u00c7\u00c3O NOS ANOS 60, FRAN\u00c7A TERRA DE IMIGRA\u00c7\u00c3O ECON\u00d3MICA E\/OU EX\u00cdLIO?\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":4506,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[243,253],"tags":[],"class_list":{"0":"post-4505","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-informacoes","8":"category-testemunhos"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4505","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4505"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4505\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4577,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4505\/revisions\/4577"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4506"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4505"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4505"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4505"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}