{"id":4979,"date":"2026-04-03T00:28:45","date_gmt":"2026-04-03T00:28:45","guid":{"rendered":"https:\/\/aep61-74.org\/?p=4979"},"modified":"2026-04-03T00:28:49","modified_gmt":"2026-04-03T00:28:49","slug":"apresentacao-em-viseu-do-livro-25-de-abril-onde-estavamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/2026\/04\/03\/apresentacao-em-viseu-do-livro-25-de-abril-onde-estavamos\/","title":{"rendered":"Apresenta\u00e7\u00e3o em Viseu do Livro 25 de Abril, onde est\u00e1vamos?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>S\u00e1bado, dia 28 de mar\u00e7o 2026, \u00e0s 15h, no Museu Nacional Gr\u00e3o Vasco, em Viseu foi<\/strong><strong> feita a apresenta\u00e7\u00e3o do livro <\/strong><strong>editado pela AEP 61-74 \u201c25 de Abril de 1974, Onde Est\u00e1vamos?\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes da sess\u00e3o, houve um almo\u00e7o de confraterniza\u00e7\u00e3o, num restaurante de Viseu com 19 comensais.<\/p>\n\n\n\n<p>A sess\u00e3o teve a presen\u00e7a de cerca de 40 pessoas . A Mesa foi constitu\u00edda por Manuel Rodrigues da Direc\u00e7\u00e3o da AEP61\/74, pela Dra Odete Paiva Directora do Museu Nacional Gr\u00e3o Vasco,\u00a0\u00a0 bem como por Manuela Tavares, Ant\u00f3nio Minhoto e Carlos Vieira e Castro, depoentes do Livro, da Regi\u00e3o de Viseu.<\/p>\n\n\n\n<p>Manuel Rodrigues fez a apresenta\u00e7\u00e3o da Mesa e\u00a0 explicitou o enquadramento do Livro nas publica\u00e7\u00f5es da AEP.\u00a0 A Dra Odete Paiva falou sobre a sua experiencia pessoal no dia 25 de Abril de 1974. Manuela Tavares fez uma interven\u00e7\u00e3o focada no papel das Mulheres no 25 de Abri. <\/p>\n\n\n\n<p>Foi de seguida lida uma interven\u00e7\u00e3o do depoente Carlos Pereira Martins que n\u00e3o pode estar presente por motivos de sa\u00fade, que convidou os presentes para um breve passeio carregado de hist\u00f3ria pela cidade de Viseu. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0Ant\u00f3nio Minhoto interv\u00edu sobre a sua experi\u00eancia no 25 de Abril, integrado no Ex\u00e9rcito Portugu\u00eas em Luanda e Carlos Vieira concluiu as interven\u00e7\u00f5es da Mesa, abordando as problem\u00e1ticas da guerra colonial e das guerras actuais.Seguiram-se varias interven\u00e7\u00f5es do p\u00fablico sobre o 25 de Abril e os problemas actuais na sociedade portuguesa. Pelas 17H30 foi encerrada a sess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Manuel Rodrigues (texto e foto), Fernando Nunes (foto)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Manuela Tavares<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Apresenta\u00e7\u00e3o do livro: &#8220;25 de Abril de 1974, onde est\u00e1vamos&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Viseu \u2014 28 de mar\u00e7o de 2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Quero agradecer \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o de Exilados Portugueses o convite para estar aqui convosco a falar deste livro. E pego no in\u00edcio do depoimento de Guadalupe Magalh\u00e3es Portelinha:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tempos de sorte a minha! Poder assistir, respirar o mesmo ar de um tempo inolvid\u00e1vel, esse ar de revolta e firmeza, de risco e coragem, de alegria e emo\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Viv\u00edamos num tempo de fechamento, de ditadura, de gente triste<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"13\" height=\"3\" src=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p>Eu que frequentava terras de grande obscurantismo, extremamente preconceituosas, perdidas na tristeza de mulheres com len\u00e7os negros, apertados no queixo e olhos no ch\u00e3o, ou terras pequenas provincianas, bisbilhoteiras, em que ser diferente era pecado, quase mortal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois aconteceu 0 25 de Abril, esse tempo misto de sonho e de uma realidade quase imposs\u00edvel.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"19\" height=\"2\" src=\"\">Creio que todos\/as n\u00f3s sentimos a esperan\u00e7a de uma vida diferente: os que eram oper\u00e1rios, camponeses, presos pol\u00edticos, professores, advogados, jornalistas, artistas de teatro, estudantes, empregados de servi\u00e7os, t\u00e9cnicos da Fun\u00e7\u00e3o P\u00fablica, militares milicianos. A revolta contra a guerra colonial levou muitos deles a fugir do Pa\u00eds, a enfrentar condi\u00e7\u00f5es de vida dif\u00edceis, no estrangeiro. Alguns s\u00f3 voltaram ap\u00f3s 0 25 de abril e lamentam n\u00e3o ter vivido esse dia, que segundo Jorgete Teixeira tinha uma luz pura e muito especial.<\/p>\n\n\n\n<p>MUDAR DE VIDA era o mote principal. Lembram-se da can\u00e7\u00e3o do Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco: &#8220;E se todo o mundo \u00e9 composto de mudan\u00e7a, troquemos-lhe as voltas, que ainda o dia \u00e9 uma crian\u00e7a&#8221;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"3\" height=\"2\" src=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p>Lembram-se tamb\u00e9m da can\u00e7\u00e3o do S\u00e9rgio Godinho: &#8220;S\u00f3 h\u00e1 liberdade a s\u00e9rio quando houver, a Paz, o P\u00e3o, Habita\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, quando pertencer ao povo o que o povo produzir.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00faltima frase teve especial impacto no PREC, o chamado Per\u00edodo Revolucion\u00e1rio em Curso, que foi um tempo hist\u00f3rico de grandes aprendizagens.<\/p>\n\n\n\n<p>A for\u00e7a sentida num povo que tinha perdido o medo, que ousava fazer ocupa\u00e7\u00f5es de casas, antes fechadas, para creches e casas para quem vivia em barracas e galinheiros.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres tiveram um papel especial nestas ocupa\u00e7\u00f5es, mobilizaram moradoras, solidarizaram-se trazendo comida e caf\u00e9. E ficaram mesmo dentro das casas ocupadas, enfrentando propriet\u00e1rios e pol\u00edcia. O direito \u00e0 sacrossanta propriedade privada e \u00e0 sua gest\u00e3o estava a ser posta em causa!<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas das mulheres respondiam ao coronel no dia da ocupa\u00e7\u00e3o do seu palacete para uma creche no Pragal, quando ele gritava &#8220;Esta propriedade \u00e9 minha&#8221;, elas respondiam &#8220;Fique l\u00e1 com a sua propriedade, n\u00f3s queremos \u00e9 que ela sirva as crian\u00e7as do Pragal e n\u00e3o os seus amigos alem\u00e3es&#8221;, quando v\u00eam de f\u00e9rias&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 que muitos\/as de n\u00f3s nos cruz\u00e1mos na Hist\u00f3ria, sem sequer nos conhecermos? Am\u00e9lia Resende afirma que tal proximidade aconteceu numa gera\u00e7\u00e3o que lutou e sonhou Abril. Contudo afirma, &#8220;h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que ainda hoje nos espantam em que, a coragem, a perseveran\u00e7a, a criatividade, a capacidade de resistir e combater se manifestam, como \u00e9 o caso de Manuel Rodrigues que, clandestino, escapou \u00e0 Pide, dentro do pr\u00f3prio quartel em que esta o tinha prendido&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Pezarat Correia na introdu\u00e7\u00e3o a este livro afirma que .com 0 25 de abril, o povo portugu\u00eas aderiu ao golpe de Estado do MFA, depois foi o MFA que aderiu \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o do povo portugu\u00eas, nas ruas&#8221;, n\u00e3o deixa de ser verdade!<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, a dita revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o cumpriu com algo que lhe podia dar maior consist\u00eancia: a propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o e consequentemente do poder pol\u00edtico, ou seja, de pertencer ao povo o que o povo produzir, como diz a can\u00e7\u00e3o do S\u00e9rgio Godinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a Hist\u00f3ria n\u00e3o se faz dos nossos desejos em rela\u00e7\u00e3o a factos passados, mas das condi\u00e7\u00f5es concretas para que determinados avan\u00e7os pudessem ter sido feitos, apesar de ocupa\u00e7\u00f5es de f\u00e1bricas, de manifesta\u00e7\u00f5es de 6 mil oper\u00e1rios da Lisnave a caminho do Minist\u00e9rio do Trabalho a 12 de setembro de 1974, que muitas vezes \u00e9 ignorada na Hist\u00f3ria do 25 de abril.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje h\u00e1 quem interrogue, &#8220;como se chegou ao Pa\u00eds que hoje temos&#8221; e acrescentam &#8220;Valeu a pena?&#8221; Sim, Valeu a Pena!<\/p>\n\n\n\n<p>E, quando nos querem denegrir esses tempos, temos que afirmar cada vez mais os valores de Abril, mas de forma que a juventude atual os compreenda! N\u00e3o bastam slogans! Tem que se mostrar como as pessoas viviam antes do 25 de abril.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando um dia falei a uma aluna minha como a minha av\u00f3 matema vivia e que dava aos filhos\/as p\u00e3o duro com um bocadinho de banha e a\u00e7\u00facar amarelo por cima, ela ficou espantada e perguntou: mas ela n\u00e3o trabalhava? Sim, trabalhava nas limpezas com um sal\u00e1rio de mis\u00e9ria, que mal dava para pagar a renda de uma casa velha. Ela era m\u00e3e solteira e tinha vindo de terras beir\u00e3s a fugir \u00e0 fome. Ser\u00e1 que n\u00e3o encontramos na sociedade atual situa\u00e7\u00f5es deste tipo? A mocinha com os olhos brilhantes, disse: a professora tem raz\u00e3o e deu-me um abra\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sociedade atual o conservadorismo e os ataques da extrema direita a direitos como os das mulheres, acusando de &#8220;ideologia de g\u00e9nero&#8221; as sess\u00f5es em escolas de preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia no namoro, de afirma\u00e7\u00e3o da Igualdade entre mulheres e homens, sucedem-se. \u00c9 preciso fazer frente. \u00c9 preciso desconstruir esta forma de pensamento com credibilidade e dados cient\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfrentar esta gente e as suas redes sociais \u00e9 uma tarefa gigantesca.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste ano em que a UMAR faz 50 anos, tem que se criar condi\u00e7\u00f5es para iniciativas que juntem muitas mulheres nesta luta e possamos dar resposta adequada a este avan\u00e7o da ideologia fascista e neofascista.<\/p>\n\n\n\n<p>UNIDOS\/AS PELA LIBERDADE.<\/p>\n\n\n\n<p>INSUBMISSAS por um NOVO ALVORECER.<\/p>\n\n\n\n<p>Viva 0 25 de Abril!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Carlos Pereira Martins<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Por estar impossibilitado de comparecer a esta Apresenta\u00e7\u00e3o enviou este texto para ser lido na sess\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Convido para um breve passeio por Viseu<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"762\" height=\"500\" src=\"https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4983\" srcset=\"https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image.png 762w, https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-300x197.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 762px) 100vw, 762px\" \/><\/figure>\n\n\n\n\n\n<p>Viseu, cidade dita tamb\u00e9m de sete colinas como algumas outras em Portugal, terra de Viriato e de encanto perene, \u00e9 um convite constante a um passeio repleto de hist\u00f3ria, arte e mem\u00f3rias gravadas nas pedras antigas das suas ruas e pra\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Sinto uma enorme tristeza por hoje n\u00e3o poder estar aqui convosco, no Museu que \u00e9 uma das minhas casas, Membro que sou do GAMUS, retido imobilizado em casa devido a grave queda e cirurgia.<\/p>\n\n\n\n<p>Participo neste livro com muita honra com um texto sobre o meu dia 25 de Abril, vindo de Lisboa, com um beb\u00e9 nos bra\u00e7os, para Viseu!<\/p>\n\n\n\n<p>Um grande &#8220;abra\u00e7o dos rijos&#8221; e o meu agradecimento por nos acolherem neste espa\u00e7o hist\u00f3rico, \u00e0s minhas muito estimadas amigas viseenses ilustres, Dra Odete Paiva, Directora do Museu, e Ora Sandra Ferraz que muito bem gere o GAMUS.<\/p>\n\n\n\n<p>Comecemos no cora\u00e7\u00e3o da cidade, o Rossio, a pra\u00e7a da Rep\u00fablica. Aqui, entre fontes, bancos e um acolhedor caf\u00e9 e esplanada \u00e0 sombra das frondosas t\u00edlias e do aroma que delas vem, \u00e9 o local ideal para acolher conversas sem pressa. O coreto que ali existiu, foi testemunha de in\u00fameras melodias e ranchos folcl\u00f3ricos com destaque para o das Tricanas de Vildemoinhos, que ainda existe. Dos bancos laterais, observam-se os passantes que sobem e descem, entre caf\u00e9s e lojas que mant\u00eam a alma comercial da cidade viva. Daqui, seguimos pela rua Formosa, nome que lhe<\/p>\n\n\n\n<p>assenta bem, pois, ladeada por edif\u00edcios de tra\u00e7a tradicional, transporta-nos numa viagem pela Viseu de outrora.<\/p>\n\n\n\n<p>Recordo com saudade o Banco Nacional Ultramarino onde sempre meu pai trabalhou, e a Pastelaria Lisboa, local de tantos lanches e de excelente qualidade. Ali ao lado, o antigo mercado, agora reformulado, o Mercado 2 de Maio onde a banca da senhora Albertina era o local de abastecimento quase di\u00e1rio de minha m\u00e3e, muitas vezes com um ros\u00e1rio de pinh\u00f5es que a vendedora me oferecia. Hoje, os pinh\u00f5es, podem vender-se na ourivesaria Brinca, ali ao lado.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegamos \u00e0 Pra\u00e7a D. Duarte, primeiro Duque de Viseu, onde a est\u00e1tua do rei sonhador nos recorda a liga\u00e7\u00e3o da cidade \u00e0 monarquia portuguesa. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o nos perdermos nos detalhes da S\u00e9 e da Igreja da Miseric\u00f3rdia, que enfrentam uma a outra numa dan\u00e7a de estilos arquitect\u00f3nicos. A S\u00e9, imponente e austera, esconde dentro de si um claustro de beleza singular. A Miseric\u00f3rdia, com a sua fachada barroca, convida-nos a olhar para cima e apreciar os ornamentos delicados.<\/p>\n\n\n\n<p>Descemos em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 Ribeira, onde o rio Pavia serpenteia discretamente entre margens de vegeta\u00e7\u00e3o luxuriante e, nos dias de muito sol, se torna um espelho reflector das muitas casas e arvores nas suas margens. Os mais antigos ainda recordam o tempo em que as lavadeiras aqui vinham, dobradas sobre as \u00e1guas, faziam barrelas entre cantigas e conversas. Ao lado, ergue-se a est\u00e1tua de Viriato, o guerreiro lusitano que vigia a cidade. Ao lado, o terreiro da Feira de S\u00e3o Mateus lembra-nos que esta \u00e9 a cidade da feira mais antiga da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, onde gera\u00e7\u00f5es se perderam entre barracas, farturas e a emo\u00e7\u00e3o dos carrinhos de choque.<\/p>\n\n\n\n<p>Cruzamos a cidade at\u00e9 ao Solar do Vinho do D\u00e3o, j\u00e1 bem perto do Fontelo, onde os vinhos da regi\u00e3o contam hist\u00f3rias de tradi\u00e7\u00e3o e saber. A Quinta Agr\u00e1ria, espa\u00e7o de ensino e experimenta\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, recorda-nos que a terra e a vinha s\u00e3o elementos essenciais na identidade de Viseu.<\/p>\n\n\n\n<p>Subimos em direc\u00e7\u00e3o ao Fontelo, onde o est\u00e1dio e a mata convidam ao desporto e ao descanso. Os pav\u00f5es, senhores do parque, desfilam entre as \u00e1rvores centen\u00e1rias, enquanto as sombras frescas convidam a um passeio mais demorado. Daqui, seguimos para Santa Cristina, onde a igreja imponente e o Semin\u00e1rio Maior se afirmam para os crentes como marcos sagrados de f\u00e9 e hist\u00f3ria. Aqui mesmo, ergue-se a est\u00e1tua do Bispo D. Ant\u00f3nio Alves Martins, figura incontorn\u00e1vel da cidade e defensor ac\u00e9rrimo de uma Igreja equilibrada e pr\u00f3xima do povo. Os dizeres na sua est\u00e1tua resumem a sua vis\u00e3o clara sobre a religi\u00e3o: &#8220;A religi\u00e3o deve ser como o sal na comida: nem demais, nem de menos&#8221;. A sua influ\u00eancia marcou a sociedade viseense, sendo recordado n\u00e3o s\u00f3 pelo seu pensamento progressista, mas tamb\u00e9m pelo seu papel na pol\u00edtica e na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entramos na Rua Alexandre Lobo, nome de escritor e jornalista viseense, antes de rumarmos \u00e0 Pousada que, em tempos, foi o Hospital de S\u00e3o Teot\u00f3nio, lugar de cuidados e hist\u00f3rias de vida e morte. Hospital onde quem vos escreve nasceu e foi operado ao ap\u00eandice quinze anos depois, no mesmo quarto onde nasceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Daqui, descemos a Avenida 25 de Abril, com os seus caf\u00e9s e lojas, at\u00e9 ao Liceu de Viseu, onde tantas gera\u00e7\u00f5es foram moldadas. Passamos pelo Largo do Massorim, onde uma paragem \u00e9 exigida aos passeantes, mesmo os mais apressados.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltamos ao Rossio, com a Gamara Municipal e onde ali mesmo ao lado se pode beneficiar de uma paragem no bonito e muito florido Jardim das M\u00e3es com a est\u00e1tua do mesmo nome. Um espa\u00e7o de ternura e lembran\u00e7a, que nos convida a um momento de contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A Casa-Museu Almeida Moreira, com a sua cole\u00e7\u00e3o ecl\u00e9tica, merece uma visita atenta, tal como a Rua Nunes de Carvalho, onde as pedras da cal\u00e7ada, o enorme penedo lateral e, ao fundo, o arco por cima da rua, nos contam segredos ant1gos.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegados exactamente ao Arco e ao Penedo, onde o tempo parece dobrar-se sobre si mesmo, e de seguida poderemos entrar na pequena capela no Largo Pintor Gata, espa\u00e7o de recolhimento e simplicidade. Terminamos no Largo da S\u00e9, onde o Museu Gr\u00e3o Vasco nos recorda que Viseu sempre foi um ber\u00e7o de arte e cultura. N\u00e3o poderemos deixar de nos deter alguns minutos em frente do quadro S\u00e3o Pedro do pintor Gr\u00e3o Vasco e outras obras suas.<\/p>\n\n\n\n<p>Este passeio, longo e carregado de hist\u00f3ria, n\u00e3o esgota a beleza de Viseu. H\u00e1 sempre uma nova rua a descobrir, um novo recanto a explorar, um novo motivo para voltar. E assim, como quem regressa a casa, deixamo-nos envolver pela cidade, guardando no olhar e na alma o encanto de cada pedra, de cada pra\u00e7a, de cada mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, &#8220;last but not least&#8221;, uma refer\u00eancia \u00e0 Aguieira, ali mesmo ao lado da antiga esta\u00e7\u00e3o da CP, que j\u00e1 n\u00e3o existe e do terreiro da Feira de S\u00e3o Mateus. A\u00ed mesmo, passou o autor toda a sua juventude antes de rumar a Lisboa e a Econ\u00f3micas!<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Pereira Martins<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>S\u00e1bado, dia 28 de mar\u00e7o 2026, \u00e0s 15h, no Museu Nacional Gr\u00e3o Vasco, em Viseu foi feita a apresenta\u00e7\u00e3o do livro editado pela AEP 61-74 \u201c25 de Abril de 1974, Onde Est\u00e1vamos?\u201d Antes da sess\u00e3o, <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/2026\/04\/03\/apresentacao-em-viseu-do-livro-25-de-abril-onde-estavamos\/\" title=\"Apresenta\u00e7\u00e3o em Viseu do Livro 25 de Abril, onde est\u00e1vamos?\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":4985,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"yes","rop_publish_now_accounts":[],"rop_publish_now_history":[],"rop_publish_now_status":"pending","footnotes":""},"categories":[243,242],"tags":[],"class_list":{"0":"post-4979","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-informacoes","8":"category-publicacoes"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4979","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4979"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4979\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4988,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4979\/revisions\/4988"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4985"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4979"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4979"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4979"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}