{"id":4979,"date":"2026-04-03T00:28:45","date_gmt":"2026-04-03T00:28:45","guid":{"rendered":"https:\/\/aep61-74.org\/?p=4979"},"modified":"2026-05-04T14:43:52","modified_gmt":"2026-05-04T14:43:52","slug":"apresentacao-em-viseu-do-livro-25-de-abril-onde-estavamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/2026\/04\/03\/apresentacao-em-viseu-do-livro-25-de-abril-onde-estavamos\/","title":{"rendered":"Apresenta\u00e7\u00e3o em Viseu do Livro 25 de Abril, onde est\u00e1vamos?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>S\u00e1bado, dia 28 de mar\u00e7o 2026, \u00e0s 15h, no Museu Nacional Gr\u00e3o Vasco, em Viseu foi feita a apresenta\u00e7\u00e3o do livro editado pela AEP 61-74 \u201c25 de Abril de 1974, Onde Est\u00e1vamos?\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes da sess\u00e3o, houve um almo\u00e7o de confraterniza\u00e7\u00e3o, num restaurante de Viseu com 19 comensais.<\/p>\n\n\n\n<p>A sess\u00e3o teve a presen\u00e7a de cerca de 40 pessoas . A Mesa foi constitu\u00edda por Manuel Rodrigues da Direc\u00e7\u00e3o da AEP61\/74, pela Dra Odete Paiva Directora do Museu Nacional Gr\u00e3o Vasco,&nbsp;&nbsp; bem como por Manuela Tavares, Ant\u00f3nio Minhoto e Carlos Vieira e Castro, depoentes do Livro, da Regi\u00e3o de Viseu.<\/p>\n\n\n\n<p>Manuel Rodrigues fez a apresenta\u00e7\u00e3o da Mesa e&nbsp; explicitou o enquadramento do Livro nas publica\u00e7\u00f5es da AEP.&nbsp; A Dra Odete Paiva falou sobre a sua experiencia pessoal no dia 25 de Abril de 1974. Manuela Tavares fez uma interven\u00e7\u00e3o focada no papel das Mulheres no 25 de Abri. <\/p>\n\n\n\n<p>Foi de seguida lida uma interven\u00e7\u00e3o do depoente Carlos Pereira Martins que n\u00e3o pode estar presente por motivos de sa\u00fade, que convidou os presentes para um breve passeio carregado de hist\u00f3ria pela cidade de Viseu. <\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ant\u00f3nio Minhoto interv\u00edu sobre a sua experi\u00eancia no 25 de Abril, integrado no Ex\u00e9rcito Portugu\u00eas em Luanda e Carlos Vieira concluiu as interven\u00e7\u00f5es da Mesa, abordando as problem\u00e1ticas da guerra colonial e das guerras actuais.Seguiram-se varias interven\u00e7\u00f5es do p\u00fablico sobre o 25 de Abril e os problemas actuais na sociedade portuguesa. Pelas 17H30 foi encerrada a sess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Manuel Rodrigues (texto e foto), Fernando Nunes (foto)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>Manuela Tavares<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Quero agradecer \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o de Exilados Portugueses o convite para estar aqui convosco a falar deste livro. E pego no in\u00edcio do depoimento de Guadalupe Magalh\u00e3es Portelinha:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tempos de sorte a minha! Poder assistir, respirar o mesmo ar de um tempo inolvid\u00e1vel, esse ar de revolta e firmeza, de risco e coragem, de alegria e emo\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Viv\u00edamos num tempo de fechamento, de ditadura, de gente triste<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"13\" height=\"3\" src=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p>Eu que frequentava terras de grande obscurantismo, extremamente preconceituosas, perdidas na tristeza de mulheres com len\u00e7os negros, apertados no queixo e olhos no ch\u00e3o, ou terras pequenas provincianas, bisbilhoteiras, em que ser diferente era pecado, quase mortal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois aconteceu 0 25 de Abril, esse tempo misto de sonho e de uma realidade quase imposs\u00edvel.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"19\" height=\"2\" src=\"\">Creio que todos\/as n\u00f3s sentimos a esperan\u00e7a de uma vida diferente: os que eram oper\u00e1rios, camponeses, presos pol\u00edticos, professores, advogados, jornalistas, artistas de teatro, estudantes, empregados de servi\u00e7os, t\u00e9cnicos da Fun\u00e7\u00e3o P\u00fablica, militares milicianos. A revolta contra a guerra colonial levou muitos deles a fugir do Pa\u00eds, a enfrentar condi\u00e7\u00f5es de vida dif\u00edceis, no estrangeiro. Alguns s\u00f3 voltaram ap\u00f3s 0 25 de abril e lamentam n\u00e3o ter vivido esse dia, que segundo Jorgete Teixeira tinha uma luz pura e muito especial.<\/p>\n\n\n\n<p>MUDAR DE VIDA era o mote principal. Lembram-se da can\u00e7\u00e3o do Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco: &#8220;E se todo o mundo \u00e9 composto de mudan\u00e7a, troquemos-lhe as voltas, que ainda o dia \u00e9 uma crian\u00e7a&#8221;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"3\" height=\"2\" src=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p>Lembram-se tamb\u00e9m da can\u00e7\u00e3o do S\u00e9rgio Godinho: &#8220;S\u00f3 h\u00e1 liberdade a s\u00e9rio quando houver, a Paz, o P\u00e3o, Habita\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, quando pertencer ao povo o que o povo produzir.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00faltima frase teve especial impacto no PREC, o chamado Per\u00edodo Revolucion\u00e1rio em Curso, que foi um tempo hist\u00f3rico de grandes aprendizagens.<\/p>\n\n\n\n<p>A for\u00e7a sentida num povo que tinha perdido o medo, que ousava fazer ocupa\u00e7\u00f5es de casas, antes fechadas, para creches e casas para quem vivia em barracas e galinheiros.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres tiveram um papel especial nestas ocupa\u00e7\u00f5es, mobilizaram moradoras, solidarizaram-se trazendo comida e caf\u00e9. E ficaram mesmo dentro das casas ocupadas, enfrentando propriet\u00e1rios e pol\u00edcia. O direito \u00e0 sacrossanta propriedade privada e \u00e0 sua gest\u00e3o estava a ser posta em causa!<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas das mulheres respondiam ao coronel no dia da ocupa\u00e7\u00e3o do seu palacete para uma creche no Pragal, quando ele gritava &#8220;Esta propriedade \u00e9 minha&#8221;, elas respondiam &#8220;Fique l\u00e1 com a sua propriedade, n\u00f3s queremos \u00e9 que ela sirva as crian\u00e7as do Pragal e n\u00e3o os seus amigos alem\u00e3es&#8221;, quando v\u00eam de f\u00e9rias&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 que muitos\/as de n\u00f3s nos cruz\u00e1mos na Hist\u00f3ria, sem sequer nos conhecermos? Am\u00e9lia Resende afirma que tal proximidade aconteceu numa gera\u00e7\u00e3o que lutou e sonhou Abril. Contudo afirma, &#8220;h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que ainda hoje nos espantam em que, a coragem, a perseveran\u00e7a, a criatividade, a capacidade de resistir e combater se manifestam, como \u00e9 o caso de Manuel Rodrigues que, clandestino, escapou \u00e0 Pide, dentro do pr\u00f3prio quartel em que esta o tinha prendido&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Pezarat Correia na introdu\u00e7\u00e3o a este livro afirma que .com 0 25 de abril, o povo portugu\u00eas aderiu ao golpe de Estado do MFA, depois foi o MFA que aderiu \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o do povo portugu\u00eas, nas ruas&#8221;, n\u00e3o deixa de ser verdade!<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, a dita revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o cumpriu com algo que lhe podia dar maior consist\u00eancia: a propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o e consequentemente do poder pol\u00edtico, ou seja, de pertencer ao povo o que o povo produzir, como diz a can\u00e7\u00e3o do S\u00e9rgio Godinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a Hist\u00f3ria n\u00e3o se faz dos nossos desejos em rela\u00e7\u00e3o a factos passados, mas das condi\u00e7\u00f5es concretas para que determinados avan\u00e7os pudessem ter sido feitos, apesar de ocupa\u00e7\u00f5es de f\u00e1bricas, de manifesta\u00e7\u00f5es de 6 mil oper\u00e1rios da Lisnave a caminho do Minist\u00e9rio do Trabalho a 12 de setembro de 1974, que muitas vezes \u00e9 ignorada na Hist\u00f3ria do 25 de abril.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje h\u00e1 quem interrogue, &#8220;como se chegou ao Pa\u00eds que hoje temos&#8221; e acrescentam &#8220;Valeu a pena?&#8221; Sim, Valeu a Pena!<\/p>\n\n\n\n<p>E, quando nos querem denegrir esses tempos, temos que afirmar cada vez mais os valores de Abril, mas de forma que a juventude atual os compreenda! N\u00e3o bastam slogans! Tem que se mostrar como as pessoas viviam antes do 25 de abril.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando um dia falei a uma aluna minha como a minha av\u00f3 matema vivia e que dava aos filhos\/as p\u00e3o duro com um bocadinho de banha e a\u00e7\u00facar amarelo por cima, ela ficou espantada e perguntou: mas ela n\u00e3o trabalhava? Sim, trabalhava nas limpezas com um sal\u00e1rio de mis\u00e9ria, que mal dava para pagar a renda de uma casa velha. Ela era m\u00e3e solteira e tinha vindo de terras beir\u00e3s a fugir \u00e0 fome. Ser\u00e1 que n\u00e3o encontramos na sociedade atual situa\u00e7\u00f5es deste tipo? A mocinha com os olhos brilhantes, disse: a professora tem raz\u00e3o e deu-me um abra\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sociedade atual o conservadorismo e os ataques da extrema direita a direitos como os das mulheres, acusando de &#8220;ideologia de g\u00e9nero&#8221; as sess\u00f5es em escolas de preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia no namoro, de afirma\u00e7\u00e3o da Igualdade entre mulheres e homens, sucedem-se. \u00c9 preciso fazer frente. \u00c9 preciso desconstruir esta forma de pensamento com credibilidade e dados cient\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfrentar esta gente e as suas redes sociais \u00e9 uma tarefa gigantesca.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste ano em que a UMAR faz 50 anos, tem que se criar condi\u00e7\u00f5es para iniciativas que juntem muitas mulheres nesta luta e possamos dar resposta adequada a este avan\u00e7o da ideologia fascista e neofascista.<\/p>\n\n\n\n<p>UNIDOS\/AS PELA LIBERDADE.<\/p>\n\n\n\n<p>INSUBMISSAS por um NOVO ALVORECER.<\/p>\n\n\n\n<p>Viva 0 25 de Abril!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>Interven\u00e7\u00e3o de Carlos Vieira e Castro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes do mais, devo fazer esclarecimentos sobre duas inexatid\u00f5es ou percep\u00e7\u00f5es&nbsp; incorrectas, no meu depoimento:<\/p>\n\n\n\n<p>1.\u00ba &#8211; este livro \u00e9 editado pela Associa\u00e7\u00e3o de Exilados Pol\u00edticos Portugueses 61-74\u201d. Ora, eu&nbsp; n\u00e3o cheguei a estar exilado. Apenas me preparava para fugir ao servi\u00e7o militar por discordar da guerra colonial.&nbsp; Na d\u00favida, entre desertar durante a recruta ou depois de ser mobilizado para \u00c1frica, e ser refract\u00e1rio, fugindo do pa\u00eds, antes de ser incorporado, optei por esta \u00faltima hip\u00f3tese, porque&nbsp; n\u00e3o queria disparar nem contra os guerrilheiros africanos que lutavam pela sua liberdade e pela independ\u00eancia dos seus pa\u00edses (se tivesse que lutar seria ao lado deles), nem contra os soldados portugueses que eram obrigados a ir combater e nem todos acreditavam ingenuamente que estavam a defender a P\u00e1tria. Muitos sabiam que estavam a defender apenas a ditadura e meia d\u00fazia de grandes empres\u00e1rios monopolistas e latifundi\u00e1rios que enriqueceram \u00e0 custa da mis\u00e9ria do povo, condenado a passar fome ou a emigrar em massa. Como conto no meu depoimento, assim que acabei o curso comercial, decidi ir frequentar o 6\u00ba ano do liceu, em regime nocturno para poder arranjar um emprego e obter algum dinheiro para a prevista fuga, e aprender mais uma l\u00edngua, o Alem\u00e3o, para o caso de ir parar a um pa\u00eds de l\u00edngua germ\u00e2nica. Porque eu n\u00e3o tinha apoios, nem fazia ideia para onde iria. Avisei os meus pais de que iria fugir quando chegasse a hora. O meu pai chamou cobarde aos desertores, o que desde logo criou um muro indiz\u00edvel entre n\u00f3s, a ensombrar o amor m\u00fatuo. S\u00f3 uns anos mais tarde, gra\u00e7as \u00e0 minha mulher, eu percebi que o meu pai, apesar de ser conservador, n\u00e3o era salazarista, era um homem bom e apenas teve medo que eu partisse para longe e acabasse mal ou nunca mais me visse (quem podia imaginar que a ditadura acabaria t\u00e3o em breve?..).<\/p>\n\n\n\n<p>O 25 de Abril apanhou-me prestes a fazer 19 anos e livrou-me da tropa e do ex\u00edlio. Conclu\u00ed o 7\u00ba ano do Liceu e fiz o exame \u00e0 Faculdade de Direito. Passei, mas n\u00e3o me inscrevi. Quis ir logo trabalhar para ser independente do meu pai, um pequeno comerciante, com parcos rendimentos. De resto, comecei a envolver-me na pol\u00edtica. Acreditava (e acredito ainda) que era poss\u00edvel construir um pa\u00eds socialista, sem desigualdades sociais, com liberdade, paz, p\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o (como na can\u00e7\u00e3o do S\u00e9rgio Godinho).<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a minha mulher me incentivou a continuar a estudar, descobri que tinha de voltar atr\u00e1s e fazer o 12.\u00ba ano. Deram-me a escolher dois tipos de Ingl\u00eas; escolhi o de menor carga hor\u00e1ria, uma vez que estudaria em regime nocturno. Quando fui inscrever-me na Escola Superior de Educa\u00e7\u00e3o, no curso de Jornalismo, como trabalhador-estudante, disseram-me que aquele n\u00edvel de Ingl\u00eas n\u00e3o dava. Ent\u00e3o, optei pelo curso de professor de EVT, por j\u00e1 ter gostado de dar aulas (sem habilita\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria) e por ter apet\u00eancia para as artes visuais.<\/p>\n\n\n\n<p>E aqui fica o<\/p>\n\n\n\n<p>2.\u00ba ESCLARECIMENTO: como v\u00eaem n\u00e3o sou jornalista, como apare\u00e7o referenciado no livro talvez devido a uma errada percep\u00e7\u00e3o, por saberem das minhas colabora\u00e7\u00f5es quase toda a vida com r\u00e1dios e jornais locais e at\u00e9 nacionais, como o JN. Tenho carteira&nbsp; de Colaborador de Imprensa, mas nunca fui jornalista profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>Conto no livro que a \u00fanica ac\u00e7\u00e3o subversiva que fiz durante a Ditadura: a edi\u00e7\u00e3o n\u00e3o&nbsp; autorizada de um jornal escolar quando estudava na Escola Comercial, que me valeu uma amea\u00e7a de expuls\u00e3o, por conter textos censurados pelo professor coordenador, um c\u00f3nego, com refer\u00eancias ao pr\u00e9mio nobel da Literatura Bertrand Russell (suponho que por ter escrito o \u201cPorque N\u00e3o Sou Crist\u00e3o?\u201d), uma alus\u00e3o&nbsp; ao massacre de My Lai, 504 civis, 182 mulheres, (17 gr\u00e1vidas) e 173 crian\u00e7as, pelos EUA na guerra do Vietname,(como v\u00eaem, a pr\u00e1tica do Imp\u00e9rio j\u00e1 \u00e9 muita!!) e ainda cita\u00e7\u00f5es de Mao Ts\u00e9 Tung. Um primo do meu pai, colono em Mo\u00e7ambique, trouxe-nos o op\u00fasculo \u201cGenoc\u00eddio contra Portugal\u201d, com fotografias do massacre da UPA em Angola, de portugueses, brancos e&nbsp; negros, barbaramente assassinados \u00e0 catanada, em 15.03.1961. Fiquei impressionad\u00edssimo. S\u00f3 mais tarde descobri que este massacre foi uma retalia\u00e7\u00e3o pelo massacre t\u00e3o ou mais b\u00e1rbaro que a For\u00e7a A\u00e9rea portuguesa cometeu tr\u00eas meses antes&nbsp; ao bombardear com napalm (bombas incendi\u00e1rias criadas na Sui\u00e7a e vendidas&nbsp; por Israel, em dep\u00f3sitos fornecidos pelos EUA) 17 aldeias, queimando 5 a 10 mil camponeses angolanos que se tinham revoltado e entrado em greve, na Baixa do Cassange, em dezembro de 1960 nas explora\u00e7\u00f5es da Cotonang, companhia de algod\u00e3o luso-belga, obrigados a trabalho quase escravo e impedidos de cultivar os pr\u00f3prios alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos de ajudar as novas gera\u00e7\u00f5es a desconfiar das narrativas oficiais e da Hist\u00f3ria&nbsp; contada pelos vencedores. Temos de acabar com a \u201cafasia colonial\u201d que nos tem impedido de reconhecer as nossas responsabilidades enquanto povo perante os povos das ex- col\u00f3nias, que com a sua luta pela liberdade ajudaram os portugueses a libertar-se da ditadura. A eles devemos o 25 de Abril!&nbsp; Am\u00edlcar Cabral, o grande l\u00edder africano que dizia aos guerrilheiros do PAIGC que o seu inimigo era o ex\u00e9rcito colonial e n\u00e3o o povo<\/p>\n\n\n\n<p>portugu\u00eas que tamb\u00e9m era v\u00edtima da ditadura, afirmou que \u201co fim do fascismo pode n\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>significar o fim do colonialismo; mas o fim do colonialismo significar\u00e1 for\u00e7osamente o fim do fascismo\u201d. Assim foi!<\/p>\n\n\n\n<p>A melhor maneira de honrarmos a mem\u00f3ria dos mais de 100 mil africanos mortos na guerra colonial, os cerca de 10 mil soldados portugueses que morreram nesses 13 anos de guerra, os mais de 15 mil deficientes f\u00edsicos das for\u00e7as armadas (1.852 amputados e 220 parapl\u00e9gicos), os 140 mil militares v\u00edtimas de stress de guerra, e ainda os 200 mil a 250 mil jovens que se recusaram a ir para a guerra (como refract\u00e1rios, desertores ou&nbsp; simplesmente emigrando antes da serem chamados para a tropa, \u00e0s vezes enviados pelos<\/p>\n\n\n\n<p>pr\u00f3prios pais) \u00e9 n\u00e3o deixar apagar a mem\u00f3ria, sobretudo agora que os saudosistas da&nbsp; ditadura e os nost\u00e1lgicos do colonialismo est\u00e3o a\u00ed a manipular as mentes, sobretudo as dos jovens que n\u00e3o viveram o fascismo, instigando o racismo, a xenofobia e outros&nbsp; preconceitos, usando com total impunidade as mentiras e as \u201cfake news\u201d, incluindo&nbsp; informa\u00e7\u00f5es falsas com os log\u00f3tipos do P\u00fablico, do Expresso e da R\u00e1dio Renascen\u00e7a. Lembremos, pois, os restantes massacres cometidos pela ditadura em \u00c1frica: MUKUMBURA e WIRIYAMU (1972) 400 mo\u00e7ambicanos civis assassinados pelo ex\u00e9rcito.<\/p>\n\n\n\n<p>MUEDA (Mo\u00e7ambique, 1961: 500 mortos numa manifesta\u00e7\u00e3o por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>PORTO DE PIDGIGUITI (Bissau) 1959:&nbsp; 50 estivadores assassinados por fazerem greve.<\/p>\n\n\n\n<p>BATEP\u00c1 (S\u00e3o Tom\u00e9 e Princ\u00edpe) 1953: 1.032 mortos por tortura e afogamento pelos colonos latifundi\u00e1rios, por ordem do governador.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem falar na aprova\u00e7\u00e3o pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, a 25 de mar\u00e7o de 2026, h\u00e1 3 dias, de uma resolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que declara o tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de&nbsp; escravos como o crime mais grave contra a humanidade.&nbsp; Aprovada por 123&nbsp; pa\u00edses, com apenas votos contra dos EUA, Israel e Argentina e a absten\u00e7\u00e3o de 52 pa\u00edses, inclu\u00edndo os que traficaram escravos para as col\u00f3nias americanas, Portugal, Espanha,&nbsp; Fran\u00e7a, Reino Unido e Pa\u00edses Baixos. Recordo que Portugal traficou mais escravos do que Espanha, Fran\u00e7a e Inglaterra juntos.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal est\u00e1 mais de meio s\u00e9culo atrasado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o da UNESCO de 1970 que obriga a restituir objectos de apropria\u00e7\u00e3o indevida de patrim\u00f3nio ancestral, material e simb\u00f3lico. E \u00e0 Resolu\u00e7\u00e3o da Assembleia Geral&nbsp; da ONU de 2020 \u201cDevolu\u00e7\u00e3o ou Restitui\u00e7\u00e3o de bens culturais ao seus pa\u00edses de origem, por consenso de 193 pa\u00edses, que j\u00e1 levou a que museus de todo o mundo, dos EUA ao Jap\u00e3o, passando pela Austr\u00e1lia, Berlim e Londres restitu\u00edssem objectos. Pouco fizemos na Inventaria\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o sobre a proced\u00eancia das nossas colec\u00e7\u00f5es. As nossas ex-col\u00f3nias africanas n\u00e3o t\u00eam feito grande press\u00e3o, mas Timor j\u00e1 reivindicou a devolu\u00e7\u00e3o de 35 cr\u00e2nios de timorenses degolados, que est\u00e3o no departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra. Nunca desprezei qualquer fonte de informa\u00e7\u00e3o. Hoje, continuo a cruzar not\u00edcias e informa\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias em busca da bissetriz da verdade. Quando Guterres disse que o ataque do Hamas no 7 de Outubro n\u00e3o tinha acontecido no v\u00e1cuo, referia-se \u00e0 limpeza \u00e9tnica e aos consecutivos massacres que Israel tem cometido desde 1948 , e mesmo antes, sobre os palestinianos, com cerca de 20.000 mortos. A somar aos mais de&nbsp; 75.000 mortos&nbsp; do genoc\u00eddio em curso, sendo 42.200 mulheres, crian\u00e7as e idosos (estudo da revista \u201cLancet\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a guerra colonial diz\u00edamos que \u201cnenhum povo pode ser livre enquanto oprimir&nbsp; outros povos!\u201d Da mesma forma, hoje devemos exigir aos nossos governantes que deixem de ser c\u00famplices, por ac\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, do governo genocida de Israel, como est\u00e3o a ser os EUA e a UE. A cobardia dos dirigentes e dos membros da UE, com excep\u00e7\u00e3o da Espanha,&nbsp; em acusar os EUA pelo ataque injustificado ao Ir\u00e3o deve envergonhar-nos e&nbsp; revoltar-nos!<\/p>\n\n\n\n<p>E aos que como o secret\u00e1rio-geral da NATO (a organiza\u00e7\u00e3o a quem devemos a ditadura&nbsp; mais prolongada da Europa ocidental, que aceitou na sua funda\u00e7\u00e3o em 1949 e andou 4&nbsp; d\u00e9cadas a organizar atentados terroristas de falsa bandeira com centenas de mortos, e&nbsp; golpes de Estado em pa\u00edses europeus democr\u00e1ticos, como a It\u00e1lia), Mark Rutte, que&nbsp; chamou pap\u00e1 ao fascista Trump a quem agradeceu h\u00e1 dias o ter obrigado os europeus a&nbsp; pagar 2% para a Defesa e j\u00e1 terem aceitado pagar 5%, devemos, \u00e0 boa maneira&nbsp; portuguesa, fazer um manguito!<\/p>\n\n\n\n<p>Recordo que a Holanda, o pa\u00eds de Rutte, foi um dos pa\u00edses que mais acolheu muitos&nbsp; exilados portugueses, dando-lhes estadia, passaportes, bolsas de estudo e direito \u00e0&nbsp; Seguran\u00e7a Social, quando tinha como maior partido o Partido Trabalhista, e chegou a&nbsp; apoiar no Parlamento holand\u00eas a sa\u00edda da NATO se Portugal n\u00e3o fosse expulso da alian\u00e7a que deu apoio militar secreto ao colonialismo e fascismo portugu\u00eas, conforme Amilcar Cabral denunciou na Assembleia Geral da ONU.<\/p>\n\n\n\n<p>De que nos vale o rearmamento se o maior inimigo da Europa \u00e9&nbsp; hoje os EUA que gasta&nbsp; mais em armamento do que todos os outros pa\u00edses do mundo juntos?<\/p>\n\n\n\n<p>A nossa melhor defesa \u00e9 o ataque\u2026\u00e0 ignor\u00e2ncia que d\u00e1 pasto ao \u00f3dio racista e fascista.<\/p>\n\n\n\n<p>Como disse Simone de Oliveira, h\u00e1 dois dias, ao ser homenageada no dia do Teatro:&nbsp; \u201cSem cultura n\u00e3o h\u00e1 democracia; e sem artes n\u00e3o h\u00e1 civiliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica guerra que temos de travar \u00e9 contra o colapso clim\u00e1tico,&nbsp; como temos visto&nbsp; recentemente. Os jovens de hoje est\u00e3o a liderar a lutar pelo seu futuro e pelo futuro da&nbsp; Humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Como disse numa entrevista recente \u00e0 revista Manifesto, o prefaciador deste livro, general Pedro Pezarat Correia (militar de Abril): \u201cQuanto mais nos preparamos para a guerra,&nbsp; mais a guerra nos parece inevit\u00e1vel!\u201d e (refutando o mantra dos vendedores de armas de que nos devemos preparar para a guerra, cortar no social para investirmos em armamento, se n\u00e3o v\u00eam a\u00ed os russos ou os iranianos invadir a Europa) conclui dizendo:&nbsp; SE QUERES A PAZ, PREPARA\u2026 A PAZ! \u201c<\/p>\n\n\n\n<p>E, contra o pessimismo actual sobre o futuro da humanidade, espalhemos as palavras&nbsp; s\u00e1bias de Laborinho L\u00facio: \u201cS\u00f3 n\u00e3o alcan\u00e7amos a utopia, porque a maior parte das vezes nos apeamos do comb\u00f3io demasiado cedo\u201d. N\u00e3o nos apeemos na esta\u00e7\u00e3o nost\u00e1lgica do 25 de Abril de 1974, como meros saudosistas da utopia desvanecida, \u201c\u00e0 espera do comboio na paragem do autocarro\u201d&#8230;n\u00e3o \u00e9 S\u00e9rgio? Porque \u201cvimos de longe, vamos para longe\/ com o que temos para nos dar\u201d e \u201cEssa coisa \u00e9 que \u00e9 linda\u201d, n\u00e3o \u00e9 Z\u00e9 M\u00e1rio?&nbsp; \u201cUma cidade sem muros nem ameias\u201d, n\u00e3o \u00e9 Zeca?&#8230; \u201cA cidade prevista\u201d de Carlos Drummond de Andrade \u201c:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c(&#8230;) Irm\u00e3os, cantai esse mundo\/ que n\u00e3o verei, mas vir\u00e1 um dia, dentro em mil anos, talvez mais\u2026 n\u00e3o tenho pressa.\/ Um mundo enfim ordenado,\/ uma p\u00e1tria sem&nbsp; fronteiras, \/ sem leis e regulamentos,\/ uma terra sem bandeiras,\/ sem igrejas nem&nbsp; quart\u00e9is,\/ sem dor, sem febre, sem ouro, \/ um jeito s\u00f3 de viver,\/ mas nesse jeito a&nbsp; variedade,\/ a multiplicidade toda \/ que h\u00e1 dentro de cada um. \/Uma cidade sem&nbsp; portas,\/ de casa sem armadilha \/,um pa\u00eds de riso e gl\u00f3ria \/como nunca houve nenhum.\/ Este pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 meu \/ nem vosso ainda, poetas.\/ mas ele ser\u00e1 um dia \/ o pa\u00eds de todo Homem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Desistir, nunca!,&nbsp; n\u00e3o \u00e9 Jorge?: \u201cEnquanto houver estrada para andar\/ a gente vai continuar\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Carlos Pereira Martins<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Por estar impossibilitado de comparecer a esta Apresenta\u00e7\u00e3o enviou este texto para ser lido na sess\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Convido para um breve passeio por Viseu<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"762\" height=\"500\" src=\"https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4983\" srcset=\"https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image.png 762w, https:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-300x197.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 762px) 100vw, 762px\" \/><\/figure>\n\n\n\n\n\n<p>Viseu, cidade dita tamb\u00e9m de sete colinas como algumas outras em Portugal, terra de Viriato e de encanto perene, \u00e9 um convite constante a um passeio repleto de hist\u00f3ria, arte e mem\u00f3rias gravadas nas pedras antigas das suas ruas e pra\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Sinto uma enorme tristeza por hoje n\u00e3o poder estar aqui convosco, no Museu que \u00e9 uma das minhas casas, Membro que sou do GAMUS, retido imobilizado em casa devido a grave queda e cirurgia.<\/p>\n\n\n\n<p>Participo neste livro com muita honra com um texto sobre o meu dia 25 de Abril, vindo de Lisboa, com um beb\u00e9 nos bra\u00e7os, para Viseu!<\/p>\n\n\n\n<p>Um grande &#8220;abra\u00e7o dos rijos&#8221; e o meu agradecimento por nos acolherem neste espa\u00e7o hist\u00f3rico, \u00e0s minhas muito estimadas amigas viseenses ilustres, Dra Odete Paiva, Directora do Museu, e Ora Sandra Ferraz que muito bem gere o GAMUS.<\/p>\n\n\n\n<p>Comecemos no cora\u00e7\u00e3o da cidade, o Rossio, a pra\u00e7a da Rep\u00fablica. Aqui, entre fontes, bancos e um acolhedor caf\u00e9 e esplanada \u00e0 sombra das frondosas t\u00edlias e do aroma que delas vem, \u00e9 o local ideal para acolher conversas sem pressa. O coreto que ali existiu, foi testemunha de in\u00fameras melodias e ranchos folcl\u00f3ricos com destaque para o das Tricanas de Vildemoinhos, que ainda existe. Dos bancos laterais, observam-se os passantes que sobem e descem, entre caf\u00e9s e lojas que mant\u00eam a alma comercial da cidade viva. Daqui, seguimos pela rua Formosa, nome que lhe<\/p>\n\n\n\n<p>assenta bem, pois, ladeada por edif\u00edcios de tra\u00e7a tradicional, transporta-nos numa viagem pela Viseu de outrora.<\/p>\n\n\n\n<p>Recordo com saudade o Banco Nacional Ultramarino onde sempre meu pai trabalhou, e a Pastelaria Lisboa, local de tantos lanches e de excelente qualidade. Ali ao lado, o antigo mercado, agora reformulado, o Mercado 2 de Maio onde a banca da senhora Albertina era o local de abastecimento quase di\u00e1rio de minha m\u00e3e, muitas vezes com um ros\u00e1rio de pinh\u00f5es que a vendedora me oferecia. Hoje, os pinh\u00f5es, podem vender-se na ourivesaria Brinca, ali ao lado.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegamos \u00e0 Pra\u00e7a D. Duarte, primeiro Duque de Viseu, onde a est\u00e1tua do rei sonhador nos recorda a liga\u00e7\u00e3o da cidade \u00e0 monarquia portuguesa. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o nos perdermos nos detalhes da S\u00e9 e da Igreja da Miseric\u00f3rdia, que enfrentam uma a outra numa dan\u00e7a de estilos arquitect\u00f3nicos. A S\u00e9, imponente e austera, esconde dentro de si um claustro de beleza singular. A Miseric\u00f3rdia, com a sua fachada barroca, convida-nos a olhar para cima e apreciar os ornamentos delicados.<\/p>\n\n\n\n<p>Descemos em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 Ribeira, onde o rio Pavia serpenteia discretamente entre margens de vegeta\u00e7\u00e3o luxuriante e, nos dias de muito sol, se torna um espelho reflector das muitas casas e arvores nas suas margens. Os mais antigos ainda recordam o tempo em que as lavadeiras aqui vinham, dobradas sobre as \u00e1guas, faziam barrelas entre cantigas e conversas. Ao lado, ergue-se a est\u00e1tua de Viriato, o guerreiro lusitano que vigia a cidade. Ao lado, o terreiro da Feira de S\u00e3o Mateus lembra-nos que esta \u00e9 a cidade da feira mais antiga da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, onde gera\u00e7\u00f5es se perderam entre barracas, farturas e a emo\u00e7\u00e3o dos carrinhos de choque.<\/p>\n\n\n\n<p>Cruzamos a cidade at\u00e9 ao Solar do Vinho do D\u00e3o, j\u00e1 bem perto do Fontelo, onde os vinhos da regi\u00e3o contam hist\u00f3rias de tradi\u00e7\u00e3o e saber. A Quinta Agr\u00e1ria, espa\u00e7o de ensino e experimenta\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, recorda-nos que a terra e a vinha s\u00e3o elementos essenciais na identidade de Viseu.<\/p>\n\n\n\n<p>Subimos em direc\u00e7\u00e3o ao Fontelo, onde o est\u00e1dio e a mata convidam ao desporto e ao descanso. Os pav\u00f5es, senhores do parque, desfilam entre as \u00e1rvores centen\u00e1rias, enquanto as sombras frescas convidam a um passeio mais demorado. Daqui, seguimos para Santa Cristina, onde a igreja imponente e o Semin\u00e1rio Maior se afirmam para os crentes como marcos sagrados de f\u00e9 e hist\u00f3ria. Aqui mesmo, ergue-se a est\u00e1tua do Bispo D. Ant\u00f3nio Alves Martins, figura incontorn\u00e1vel da cidade e defensor ac\u00e9rrimo de uma Igreja equilibrada e pr\u00f3xima do povo. Os dizeres na sua est\u00e1tua resumem a sua vis\u00e3o clara sobre a religi\u00e3o: &#8220;A religi\u00e3o deve ser como o sal na comida: nem demais, nem de menos&#8221;. A sua influ\u00eancia marcou a sociedade viseense, sendo recordado n\u00e3o s\u00f3 pelo seu pensamento progressista, mas tamb\u00e9m pelo seu papel na pol\u00edtica e na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entramos na Rua Alexandre Lobo, nome de escritor e jornalista viseense, antes de rumarmos \u00e0 Pousada que, em tempos, foi o Hospital de S\u00e3o Teot\u00f3nio, lugar de cuidados e hist\u00f3rias de vida e morte. Hospital onde quem vos escreve nasceu e foi operado ao ap\u00eandice quinze anos depois, no mesmo quarto onde nasceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Daqui, descemos a Avenida 25 de Abril, com os seus caf\u00e9s e lojas, at\u00e9 ao Liceu de Viseu, onde tantas gera\u00e7\u00f5es foram moldadas. Passamos pelo Largo do Massorim, onde uma paragem \u00e9 exigida aos passeantes, mesmo os mais apressados.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltamos ao Rossio, com a Gamara Municipal e onde ali mesmo ao lado se pode beneficiar de uma paragem no bonito e muito florido Jardim das M\u00e3es com a est\u00e1tua do mesmo nome. Um espa\u00e7o de ternura e lembran\u00e7a, que nos convida a um momento de contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A Casa-Museu Almeida Moreira, com a sua cole\u00e7\u00e3o ecl\u00e9tica, merece uma visita atenta, tal como a Rua Nunes de Carvalho, onde as pedras da cal\u00e7ada, o enorme penedo lateral e, ao fundo, o arco por cima da rua, nos contam segredos ant1gos.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegados exactamente ao Arco e ao Penedo, onde o tempo parece dobrar-se sobre si mesmo, e de seguida poderemos entrar na pequena capela no Largo Pintor Gata, espa\u00e7o de recolhimento e simplicidade. Terminamos no Largo da S\u00e9, onde o Museu Gr\u00e3o Vasco nos recorda que Viseu sempre foi um ber\u00e7o de arte e cultura. N\u00e3o poderemos deixar de nos deter alguns minutos em frente do quadro S\u00e3o Pedro do pintor Gr\u00e3o Vasco e outras obras suas.<\/p>\n\n\n\n<p>Este passeio, longo e carregado de hist\u00f3ria, n\u00e3o esgota a beleza de Viseu. H\u00e1 sempre uma nova rua a descobrir, um novo recanto a explorar, um novo motivo para voltar. E assim, como quem regressa a casa, deixamo-nos envolver pela cidade, guardando no olhar e na alma o encanto de cada pedra, de cada pra\u00e7a, de cada mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, &#8220;last but not least&#8221;, uma refer\u00eancia \u00e0 Aguieira, ali mesmo ao lado da antiga esta\u00e7\u00e3o da CP, que j\u00e1 n\u00e3o existe e do terreiro da Feira de S\u00e3o Mateus. A\u00ed mesmo, passou o autor toda a sua juventude antes de rumar a Lisboa e a Econ\u00f3micas!<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Pereira Martins<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>S\u00e1bado, dia 28 de mar\u00e7o 2026, \u00e0s 15h, no Museu Nacional Gr\u00e3o Vasco, em Viseu foi feita a apresenta\u00e7\u00e3o do livro editado pela AEP 61-74 \u201c25 de Abril de 1974, Onde Est\u00e1vamos?\u201d Antes da sess\u00e3o, <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/2026\/04\/03\/apresentacao-em-viseu-do-livro-25-de-abril-onde-estavamos\/\" title=\"Apresenta\u00e7\u00e3o em Viseu do Livro 25 de Abril, onde est\u00e1vamos?\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":4985,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[243,242],"tags":[],"class_list":{"0":"post-4979","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-informacoes","8":"category-publicacoes"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4979","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4979"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4979\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5021,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4979\/revisions\/5021"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4985"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4979"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4979"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aep61-74.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4979"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}