Nova ordem mundial e democracia
4 de julho 2026
Escola Secundária de Camões (entrada principal)
Ginásio Histórico
PROGRAMA
Coordenação de Guadalupe Portelinha e Joaquim Nunes
9H30 – Boas-vindas pelo Director do Liceu Camões, Ricardo Frias, breve apresentação do tema central do Fórum por Guadalupe Portelinha e comunicação do General Pedro Pezarat Correia
10H00 – Visita guiada à Exposição temática, com coordenação de Mário Moutinho
Manhã – 10H30 – 13H30
PAINEL INTERNACIONAL
10H30- Urgência ambiental – Bruno Candeias
11H00- Os migrantes e o racismo – Luísa Semedo
11H30 Debate
12H00- O negócio da guerra e a urgência da paz – Miguel Szymanski
12H30- Médio Oriente / Ásia Ocidental na Nova Ordem Mundial – António Rosado da Luz
13H00 Debate
Moderadores: Carlos Martins e Luís Castelo
13H45 – 15H15
ALMOÇO /CONVÍVIO
Coordenação de Anabela Henriques e Augusta Alvito
Tarde – 15H30 – 18H45
PAINEL NACIONAL
15H30- A juventude e a memória – Rita Rato
16H00- Saúde e SNS: ontem, hoje e amanhã – Rafael Henriques
16.30 – Debate
17H00 – Direito ao Trabalho, Reforma Laboral e Inteligência Artificial – António Garcia Pereira
17H30 – Informação e Desinformação – Margarida Davim
18H00 – Debate
Moderadores: Amélia Resende e Carlos Ventura
19H00 – 20H30 POESIA/CONCERTO
Maria do Céu Guerra, Luís Caracol, Carlos Alberto Moniz
(apoio de Pedro Marcelino)
Coordenação e Apresentação de Moema Silva
ASSOCIAÇÃO MARES NAVEGADOS
A Associação Mares Navegados (AMN), organização da sociedade civil criada em 2007, foi fundada, em grande parte,por antigos exilados no Brasil (entre os quais Amândio Silva,Jaime Conde, Camilo Mortágua e Alípio de Freitas ) e outros activistas com a finalidade de acompanhar e promover política e culturalmente os países de língua oficial portuguesa.Apesar de alguns dos fundadores já não estarem entre nós, deixaram a semente para continuarmos no seu propósito e,eventualmente, alargarmos para outras finalidades. Nos últimos anos, a AMN dedica-se também à organização do Fórum Liberdade e Pensamento Crítico (FLPC), que já vai na oitava edição e vem mobilizando cada vez mais cidadãos no sentido de repensar os caminhos da Liberdade e da Democracia,em Portugal e no Mundo.
COMISSÃO ORGANIZADORA DO FLPC
Amélia Resende, Anabela Henriques,Augusta Alvito,Arnaldo Silva, Carlos A. Cruz, Carlos Campos Ventura, Carlos Pereira Martins,Fernando Nunes, Guadalupe Portelinha, Jacinto Rego de Almeida, João Jaime Pires, Joaquim Alberto Simões, José Zaluar, Luís Castelo, Mário Moutinho, Mário Tomé, Moema Silva.
Inscrições Abertas até ao dia 2 de julho, através do email: oitavoforumlpc@gmail.com
Coordenadores: Anabela Henriques 961 334 658 e Augusta Alvito 962 446 874
Almoço:20.00 LPC
Apoio Solidário: valor livre (despesas do evento)
IBAN-PT50 0035 0584 0005 2543 3305 3
(Mares Navegados)
Enviar comprovativo de pagamento indicando nome do titular da transferência e n° de pessoas.
A QUEDA DO IMPERIALISNO OCIDENTAL
Luís Castelo
Mesmo para quem ainda há pouco duvidava, é agora claro que o poder unilateral do chamado imperialismo ocidental está a chegar ao fim.
Já não é possível esconder o esgotamento dos falsos valores, e até da própria capacidade de lideranca,desse Império que durante séculos foi europeu e os EUA assumiram a partir do termo da 2a Guerra Mundial, sem concorrentes nas últimas décadas.
E neste perigoso interregno em que a ordem mundial que conhecemos se desmorona,neste “tempo dos monstros” de que nos falava Gramsci, o nazismo, o sionismo assassino, 0racismo, a descarada propaganda desinformativa e a crescente violência das ameaças e prepotências sem limites dos “destronados” — ainda poderosos e cada vez mais arrogantes,ressentidos, psicóticos…– urge encontrar o caminho para uma ordem internacional nova,democrática e equitativa, que saiba, queira e possa construir e manter uma paz duradoura,viabilizando o desenvolvimento global e sustentável que a humanidade tem ao alcance e de que tanto necessita.
É uma tarefa de todos: mais e menos jovens seremos poucos para defender o direito ao futuro justo e possível que nos cabe exigir, aqui e agora!
Entretanto, importa atentar na recente proposta subscrita por duas das potências emergentes sobre a construção de um novo sistema de relações internacionais, onde ressalta a ideia de um futuro equitativo, de que todos possam realmente beneficiar.
No ambiente, na saúde, no trabalho, na vida de cada ser humano–em Portugal como no resto do mundo–não podemos aceitar os recuos históricos que nos querem impor.
Há que sublinhar e lembrar aos mais novos as etapas percorridas e garantir que o poder cognitivo e os avanços conseguidos devem servir e não destruir os que cá estão e os que hão-de vir.
A guerra que nos ameaça pode ser a última!
A análise cuidada do presente e a procura de soluções que permitam garantir a confianca nesse futuro, que respeite e desenvolva os progressos obtidos e os direitos adquiridos,continuam a ser as propostas deste nosso Fórum Liberdade e Pensamento Crítico, o oitavo,no dia 4 de julho, em Lisboa, na Escola Secundária de Camões.
IMPEDIR A GUERRA E TRAVAR AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS
Mário Tomé
As duas grandes ameaças à humanidade são, nos dias de hoje, as alterações climáticas e a guerra. De forma explícita, claro. Porque ambas convergem no supremo responsável pela degradação e pelo apodrecimento do que de grandioso foi conseguido pelo desenvolvimento histórico das sociedades humanas, e que desaguou na aceitação, explícita ou implícita,voluntária ou imposta – o determinante é a condição de classe-do fim da história, que tanto gozo dá àqueles que supõem tê-la capturado pela tecnologia que dominam.
Fala-se afinal,e apenas,de um quinto da humanidade que, muito civilizada, arrasou os outros quatro quintos, com genocídios sistemáticos, bombas nucleares, e hecatombes a la carte.
E quando,como consequência da derrota do nazismo e do holocausto, se alcançou o estádio supremo do respeito pela humanidade, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos,logo a barbárie retomou o seu lugar de sustentação explícita da civilização capitalista.
Os importantes trabalhos de tantos, como Picketty, Mazuccato, Mortágua, põem-nos em contacto e aprofundam o conhecimento dos magnos problemas gerados pelo domínio do imperialismo. Mas por aí se ficam.
O caminho está a ser apontado pela jovem Greta Thunberg que, à frente de milhões de jovens, ousa dizer que não há justiça climática se não houver justiça social e que, sublinhou,não se travam as alterações climáticas se não se mudar o modo de producão!
O capitalismo não tem travão nem atenuante, a sua medida de todas as coisas é o crescimento.Atingido o estado supremo, o imperialismo, desembestou então, em absoluto.Quem manda é essa estranha entidade, que a sociedade humana descobriu para por ela ser dominada, quando não exterminada, num profundo estremecimento masoquista.
Os capitalistas são uns ogres, mas “não passam de funcionários do capital” (Karl Marx), e só se sentem libertos com o sofrimento da humanidade. A sua miséria moral é tal, que são incapazes de condenar o genocídio do povo palestiniano.
É aqui que se impõe a luta de massas sem tréguas, informada pelo pensamento crítico.
A luta contra a guerra e as alterações climáticas exige a construção de uma alternativa que se liberte do domínio desta brutal irracionalidade lucrativa, ou seja, que liquide o capitalismo pelo ecossocialismo, o comunismo como Karl Marx no-lo apresentou: integração do Homem na harmonia infinita da natureza.
Manifesto sobre a tortura e o genocidio do povo Palestino
Mário Moutinho
O genocídio do povo Palestino é uma realidade escancarada que se materializa todos os dias desde 1948. Nenhuma retórica, pode esconder a “solução final” seguida desde então, que se manifesta na barbárie a que o povo Palestino está sujeito às mãos de milícias e tropas israelitas que espalham morte, tortura e terror na Palestina.
Trata-se de um genocídio” coordenado por Francesca Albanese É por isso preciso denunciar e reconhecer que a ditadura teocrática israelita executa sistematicamente a eliminação do povo palestino, determinando a restrição de acesso a alimentos, água e cuidados de saúde, provocando a destruição de infraestruturas civis e submetendo todo um povo a extensos e indiferenciados bombardeamentos. Desde a primeira “Nakba” o povo palestino foi espoliado das suas terras e bens, submetido à condição de refugiados (5 milhões UNRWA) e reduzidos à pobreza extrema por gerações sucessivas. É preciso confrontar a Assembleia da Républica com a necessidade urgente de exigir a expulsão do embaixador de Israel em Portugal, como expressão de condenação e repúdio pelo genocídio em curso, em Gaza, na Cisjordânia e agora também no Líbano. É preciso confrontar a AR com a necessidade urgente de manifestar o seu apoio aos ativistas e movimentos israelenses de oposição à política genocida da ditadura teocrática israelita.
MULTIPOLARIDADE E BLOCOS DE PODER
Carlos Pereira Martins
A tendència dominante no actual sistema internacional é a multipolaridade presença de várias potências influentes (EUA, China, Rússia, União Europeia, India, etc.) com interesses divergentes e frequentemente concorrentes.
Algumas caracteristicas desse novo sistema:
- Redes de alianças mais complexas e flexíveis, que não seguem estritamente uma lógica bipolar.
- Fragmentação económica e financeira, com paises a explorarem alternativas aos sistemas dominados pelo Ocidente.
- Pressões regionais – por exemplo, conflitos no Médio Oriente ou tensões no Indo-Pacifico que moldam allanças e prioridades geopoliticas
Esta configuração difere significativamente da competição clara entre dois blocos caracteristicos da Guerra Fria tradicional.
Desafios e riscos a curto/médio prazo
A transição para uma nova ordem mundial não é linear e implica riscos reais: - Instabilidade e competição por recursos estratégicos, rotas comerciais e dominios
tecnológicos. - Maior fragmentação institucional, com organismos multilaterais tradicionais a perderem influência relativa.
- Potencial para conflitos indiretos ou por procuração, como no caso da Europa Oriental, ou desacordos em zonas geográficas sensiveis.
Os próximos anos provavelmente serão marcados por uma concorrência acirrada entre potências-tanto nos planos militar como económico-em vez de uma ordem global estável e uniforme.
Conclusão: que tipo de ordem mundial?
A análise actual sugere que estamos numa fase de reconfiguração geopolitica:
A ordem unipolar liderada pelos EUA está a perder monopólio de influência.
A China emerge como actor económico e politico global e essencial. A Rússia mantém um poder militar significativo, mas com limitações estruturais.
O sistema tende para uma multipolaridade complexa em que diferentes centros de poder se equilibram e rivalizam.
Esta nova ordem mundial não totalmente definida nem institucionalizada provavelmente moldada por uma combinação de rivalidade geopolitica, competição tecnológica e redes económicas regionais e transregionais, exigindo maior adaptação por parte dos Estados e instituições globals.
A SAÚDE E O SNS
Rafael Henriques
O SNS, idealizado por Arnaut e outros, nasce a 15 de setembro de 1979 (Lei nº 56/79), sendo que o ‘Despacho Arnaut” de 1978 é tido como o seu ato fundador. Se a parentalidade do SNS é comummente atribuída ao PS e a Arnaut, o seu parto foi bem assistido pelos votos favoráveis do PCP e UDP, com os votos contra, e bem regislados, do PSD e CDS, apesar de alguma vergonha justificativa atual, considerando o que SNS representa para a população, “uma das maiores conquistas de Abril”. A edificação do SNS permitiu que muitas populações que nunca tiveram acesso a cuidados de saúde preventivos ou curativos tivessem contacto, pela primeira vez, com um médico. Permitiu a expansão da cobertura vacinal para uma miriade de doenças infectocontagiosas, um flagelo à época, e a redução para níveis exemplares, de orgulho a nivel mundial, das taxas de mortalidade materno-infantil, uma calamidade social inerente de um país pobre. Em 1990, nasce a primeira Lei de Bases da Saúde (LBS), Lel n° 48/90 de 24 de agosto, introduzindo-se lógicas e empresarialização no SNS, tendo tido apenas os votos contra do PCP e da UDP. Pode-se afirmar que começa aqui o abastardamento do SNS pelo PS.
Em 2019, é aprovada a nova LBS, a Lei nº 95/19 de 4 de setembro, com votos contra do PSD e CDS, que procurou reforçar a centralidade da prestação dos cuidados em torno do utente, clarificar a articulação do SNS com o setor privado e social.
O impacto sobre a atividade programada, na capacidade de resposta às necessidades de saúde da população e sobre os profissionais de saúde foi colossal.
O SNS nunca recuperou: carreiras profissionais esquecidas e sem valorização, empurrando profissionais para o privado e para emigração; mais de 15% da população sem acesso a médico de familia; tempos de espera infindáveis nos serviços de urgência, encerramentos de serviços de obstetricia por falta de profissionais e atrasos crescentes para aceder a uma primeira consulta de especialidade hospitalar e cirurgia.
A Saúde não pode dar lucro. Se gera lucro, das duas uma: ou alguém, perante um adequado serviço, está a ser explorado, a pagar os extras, ou, para um serviço subóptimo, paga o razoável que pagaria caso tivesse o serviço devido. A história do SNS não está fechada, ela escreve-se todos os dias, com utentes e profissionais. Há esperança. Trabalhemos a lutemos por isso, pela Liberdade e pelo SNS.
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