Sessão de apresentação do livro 25 de Abril 1974, Onde estávamos? – 11 de julho 2026 na UNICEPE na cidade do Porto

A sessão foi moderada por Rui Vaz Pinto da UNICEPE (Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto) que apresentou os oradores Joaquim Fernando da Costa Nunes, presidente da direção da Associação dos Exilados Políticos Portugueses 61-74, José Manuel Machado Castro, autor de um testemunho no livro objeto desta apresentação e Carla L Pais Pires Quintas da geração nascida já depois de 1974 e, no debate, orientou as intervenções da assistência e da mesa,

Palavras de Joaquim Fernando da Costa Nunes

Joaquim Fernando da Costa Nunes, em nome da AEP61-74 agradeceu à UNICEPE pela cedência do espaço para a apresentação do livro 25 de Abril 1974, Onde estávamos?, editado pela Associação dos Exilados Políticos Portugueses 61-74.

A associação foi criada por desertores e refratários à guerra colonial, muitos deles colaborando na constituição de comités de apoio aos que vinham clandestinos de Portugal, nomeadamente em França, Holanda, Suécia, Dinamarca e Bélgica.

Foi destacada a grande quantidade de jovens que desertaram ou não se apresentaram ao serviço militar, cerca de 200.000 com base em informações recolhidas por Miguel Cardina junto das forças armadas, espalhando-se essencialmente por França mas também por outros países europeus.

Após o 25 de abril, muitos retornaram a Portugal, onde o tema colonial se mantinha quase tabú, sentindo-se a necessidade de abrir uma discussão sobre o tema.

Assim, publicou-se um primeiro livro Exílios (2016), que inclui cerca de trinta depoimentos de exilados, essencialmente por motivos militares, incluindo por exemplo o de Fernando Cardeira, que fazia parte de um grupo de oficiais da Academia Militar, seguido do Exílios.2 (2017). e o Exílios.3 (2021), e finalmente o Exílios no Feminino (2023), com testemunhos de sete mulheres que por razões diversas trocaram Portugal por experiências no exterior.

Finalmente publicou-se o 25 de Abril 1974, Onde estávamos?, que reflete as diferentes experiências vividas por todos que direta ou indiretamente, no país ou no estrangeiro ou mesmo nas colónias nele participaram.

Palavras de José Manuel Machado Castro

José Manuel Machado Castro autor de um dos testemunhos, expressou agradecimentos à UNICEPE pela sua usual disponibilidade para estas apresentações, especialmente relevantes para partilhar experiências relacionadas com o 25 de abril de 1974, tendo Porto como cenário central. Destacou a importância do testemunho histórico da Associação dos Exilados Portugueses 61-74, representada por Joaquim Nunes, enfatizando a necessidade de preservar a memória dos eventos desse período. Notou ainda que os testemunhos são geralmente dispersos, com a participação do Porto frequentemente sub-representada nas narrativas, onde o foco costuma estar em Lisboa. Enfatizou, contudo. que Porto também teve um papel significativo durante a revolução, especialmente perto do antigo quartel do SICA. Referiu a figura do então comandante da PSP e o momento emblemático em que, pela primeira vez, os repressivos estavam em fuga frente aos populares. Descreveu a atmosfera do dia 25 de abril, incluindo interações e movimentos no Quartel da GNR, onde o silêncio indicava algo incomum. Destacou a libertação de presos políticos e a importância da documentação fotográfica dos acontecimentos. Concluiu a sua intervenção ressaltando a relevância dos testemunhos diversos para compreender aquele período crucial da história portuguesa. Através de uma série de livros, como os Exílios, que incluíram depoimentos de desertores e testemunhos de mulheres, a associação buscou preservar a memória da luta e das experiências daqueles que viveram a guerra colonial e a revolução. O novo livro procura manter viva a lembrança do 25 de abril.

Palavras de Carla L Pais Pires Quintas

Nascida em 1978, Carla Quintas, não viveu a experiência direta da Revolução, considera que a herança do 25 de abril ressalta a importância deste trabalho sobre o tema, especialmente para a sua geração, levando-nos a refletir sobre o que fazemos com o que recebemos.

O livro destaca a pluralidade das vozes e histórias individuais, trazendo à tona a narrativa das mulheres, que frequentemente são marginalizadas na história.

Neta de agricultores e filha de funcionários públicos, mencionou que a sua vida está intimamente ligada a essa história coletiva, pertencendo à primeira geração com educação superior, resultado das políticas pós-25 de abril.

A sua trajetória profissional, marcada pela autonomia, evidencia como as conquistas desse período transformaram a sociedade. Trabalhando na área de educação, onde testemunha diariamente as oportunidades de recomeço que a democracia proporciona. A memória do 25 de abril requer, assim, cuidado em tempos atuais e a responsabilidade de não mitificar a história, mas sim de refletir sobre o que fazemos com o legado deixado. O livro é uma excelente iniciativa nesse sentido.

No final, abrindo o debate, Rui Vaz Pinto orientou as intervenções da assistência e dos membros da mesa.

Referências da página da Unicepe sobre a apresentação onde constam os videos acima relativos às diferentes intervenções e debate

https://www.unicepe.pt/acao-cultural/ondeestavamos