Mário Correia
Editado com o apoio de AEP61/74 – Associação de Exilados Politicos Portugueses
O nosso Tino Flores
HELDER COSTA

Eu tinha chegado a Paris em 1967. Como muitos outros, para fugir à PIDE, ia fazer um “Erasmus do Salazar”. E também, como muitos outros, tentava continuar a ser útil para a luta antifascista em Portugal. Passou-se o vendaval maravilhoso conhecido por Maio de 68, e os contactos e projectos começaram a aparecer. E a dada altura, o Vasco Martins que já calcorreava a Europa há uns anos, desafiou-me para irmos ouvir um cantor que iria actuar numa festa de emigrantes. Com uma sala completamente à cunha, apareceu o artista: viola com cordas de aço, realejo, cabelo comprido e barbas, trajo meio hippy… e arrancou com “As moças da minha terra têm os olhos molhados…” uma denúncia directa, radical e afectiva sobre a criminosa guerra colonial que o ditador tinha imposto ao povo português. Sentiam-se Bob Dylan e fundamentalmente Woody Guthrie, o escritor de canções que tinha uma mensagem na sua viola: “This machine kills fascists”
(“Esta arma mata fascistas”). Aplausos quentes e intermináveis e o cantor foi desfiando canções que apelavam à mudança para um mundo novo. Chamava-se Tino Flores.
Falamos no final e o entendimento foi fácil.
ÍNDICE
Prefácios
Hélder Costa: O nosso Tino Flores
Manuel Branco. O Tino era isto tudo
Testemunhos
Fernando Cardoso
José Mário Branco
Manuel Branco
Vasco de Castro
Vasco Martins
Vladimiro Guinot
Arte e compromisso, vida e militância
Do Porto para o mundo
Nascer no Porto rural
Ritmos modernos e rebeldia nos inícios dos anos 60
A recusa da guerra colonial
Nos caminhos do exílio
Reencontrar os amigos em Grenoble
A saída de Grenoble
O regresso a Grenoble
De Annemasse a Monnetier-Mornex
Em Paris nasceu o Tino Flores
Teatro militante pela liberdade
Cantar a revolução: Os Camaradas
Convivência entre cantores solidários
Criar canções para a vida
Os incidentes da Mutualité
Um panfleto provocatório
Discos na clandestinidade
Um cantor popular
De novo em Portugal
Um regresso cauteloso
Nos (des)caminhos da unidade de acção
Percorrer o país a cantar
Por diferentes caminhos

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