Esteve exilado em Bruxelas, Moscovo e Amesterdão. Estava em Belas Artes quando da crise de 1962, fez a greve da fome e foi expulso da Universidade de Lisboa. Seguiu para as Belas Artes do Porto, onde colaborou com a cooperativa Árvore e exilou-se para fugir à tropa.
Em Bruxelas conseguiu uma bolsa para Moscovo, onde frequentou a Universidade (Cenografia/Pintura) durante cerca de 3 anos, após o que se refugiou na Holanda, primeiro em Harlem (residências para artistas) e, depois, em Amesterdão.Vinha muito a Bruxelas, onde nos conhecemos, mesmo ainda antes da sua ida para a Rússia.
Em Amesterdão, criou o mais belo restaurante do mundo, o “Gloria in Excelsis Deo”, que levou mais de 2 anos a preparar, como artista meticuloso e gastrónomo de excelência que era…quando, finalmente, estava pronto a abrir ao público, deu-se o 25 de Abril e ele veio-se embora…
Ainda lá vivi, no Gloria in Excelsis Deo, uma das últimas casas flutuantes de Amesterdão, por ele restaurada, no Jordaan: parecia um quadro de Vermeer – com talheres e candelabros de prata, duas estátuas em tamanho natural da Virgem do Leite e de S. Sebastião, feitas por um santeiro de Braga…comida: punhetas de bacalhau, pézinhos de coentrada, etc.
Não tenho uma única fotografia! Nem ele tinha…naquele tempo ninguém tirava fotos.
Tenho pena! Durante os meses em que nunca abriu ao público, era frequentado pelo António José Saraiva, pela Teresa Rita Lopes, por mim, pela pintora Maria Beatriz e o Vítor Pomar, etc. vinham também guerrilheiros do IRA, que estavam clandestinos na Holanda e bebiam, tocavam e dançavam até altas horas…
Para o José Emílio, parafraseando Natália Correia, a Arte era para comer!
Era um dos meus maiores amigos, de sempre.
Um abraço triste
Lena Cabeçadas, Foto Zé Macedo
PS: O velório decorreu no dia 25 de junho na casa mortuária da Igreja da Boa Hora/Ajuda. Foi cremado no dia seguinte no crematório dos Olivais
