Exílios 3
(Organizado por temas)
Editado por AEP61/74 – Associação de Exilados Politicos Portugueses – fevereiro 2022, Carlos Ribeiro
| Afonso de Vasconcelos | José Louza | Orlando Gonçalves |
| António Couvinha | José Pinto de Sá | Romeu Batista |
| Artur Monteiro de Oliveira | José Pires Brazão | Rui Lopes |
| Benjamim Monteiro | José Rosa. | Sara Amâncio, |
| Carlos Ventura | Manuel José Chico | Vasco Lupi e Costa |
| Eurípides Costa | Milice Ribeiro dos Santos | |
| José Augusto da Silva Martins | Nelson Anjos |
As nossas Avenidas de Choisy
Albert Camus convidou-nos para viagens do exílio, simbólicas, mas também realistas, nas quais a insatisfação e as dificuldades em encontrar sentido para vida surgem através de personagens psicologicamente semelhantes, mas colocados em
quadros diferentes e nos quais eles evoluem de forma também muito diferenciada. No Exílio e o Reino o autor do Homem Revoltado confronta-nos com a impotência, o arrependimento, a salvação e por fim, numa recomendação amarga, com a felicidade tumultuosa.
Teria sido um exercício particularmente fascinante trocar Janine por Milice ou Jonas por Zé Rosa, ou por outros e por outras, e sentir que todos aqueles que testemunharam neste livro Exílios.3 poderiam ter cometido adultério, como a mulher do argelino representante de tecidos o terá feito com, literalmente, a paisagem do deserto. Fazê-lo com Paris, Amsterdão, Copenhaga, Bruxelas e com tantas outras cidades do exílio, pode atribuir-lhe ainda maior legitimidade pela grandeza urbana e espacial destes desertos de substituição e de circunstância. Mas o que importará no caso não será tanto o legítimo, mas antes o vivido. A embriaguez na contemplação de uma paisagem deslumbrante, porque vivida para além da fronteira, foi uma experiência comum ao lote de dezanove contadores de histórias deste livro que nos relatam, para além dos acontecimentos, o que lhes ficou depositado na alma. Alguns criaram raízes que os pés não conseguem libertar da terra, outros ganharam asas, mas só voaram para o aconchego da terra prometida, mesmo ali ao lado, à distância de um comboio que circulou noite fora até ao perfume dos cravos.
Quando o exílio, período de distanciamento e adiamento temporário da própria vida, se transforma na vida que é possível e, por vezes até, naquela que é desejada, verificamos que a incursão neste universo complexo de sentidos, de ideias, de movimentos, de paixões, não pode ser linear. O risco da não-linearidade consiste em podermos inclinar-nos para uma conclusão dramática, traduzida na afirmação paradoxal que indica que, afinal, o exílio pura e simplesmente não existe.
Mas o que pensaram sobre as situações vividas pelos exilados, muito deles desertores e refratários, aqueles que observaram, na proximidade, estas experiências peculiares?
Bengt Johanneson da Suécia, recorda as ligações com os portugueses e com Portugal, representando simbolicamente, neste pequeno apontamento, o que aconteceu com milhares e milhares de franceses, dinamarqueses, holandeses, belgas, alemães e muitos amigos, companheiros e camaradas de outros países que partilharam as lutas e a esperança que uniu os exilados portugueses em todas as partes do mundo contra a
ditadura e a guerra colonial.
(Carlos Valentim Ribeiro)
Indice Temático
Portugal antes de Abril
A viagem, o Salto, passagem de fronteiras
As incertezas dos primeiros tempos
Trabalhar e estudar para construir um futuro incer
As vidas na nova vida
Uma militância com sabor a liberdade
Um Maio 68 vivido por dentro
Os territórios do exílio
O exílio no retrovisor
O 25 de Abril além-fronteiras
A euforia do regresso
O outro lado da lua
O apoio das organizações dos países de acolhimento

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